Cirurgia cria pênis em transexual
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sexta-feira, 19 de março de 1999
Anna Camanducaia 
Em um ano de existência, o Comitê de Identidade Sexual de Curitiba, da Universidade Tuiuti do Paraná, acompanhará pela primeira vez, na próxima quarta-feira, uma faloplastia, cirurgia para mudança do órgão sexual feminino para o masculino. No ano passado, foram feitas duas cirurgias, mas apenas vaginoplastias, que é a alteração do sexo masculino para o feminino.
A faloplastia é mais rara e mais complicada. Num grupo de 26 pessoas candidatas à cirurgia no comitê, apenas dois casos são de faloplastia. Estatística do Conselho Federal de Medicina (CFM) mostra que para cada 40 mil homens há um transexual (biologicamente homem, mas com identidade feminina). Já entre as mulheres, há uma para 80 mil (órgão sexual feminino, com identidade masculina).
A cirurgia de redesignação sexual (mudança de sexo) será feita no Hospital-Escola de Jundiaí (SP). O paciente é de Curitiba e tem 31 anos. Apesar de ter nascido com órgão sexual feminino, tem identidade sexual masculina. Na adolescência, fez cirurgia para retirar as mamas. O paciente deve ficar de um ano e meio a dois anos em procedimentos cirúrgicos.
Para fazer a cirurgia, a pessoa precisa passar por acompanhamento psicológico e médico por um período de dois anos. Depois da cirurgia, também deve ficar em observação por, no mínimo, dois anos. A intenção é verificar a evolução da cirurgia e a adaptação à nova condição.
Segundo a diretora do Comitê de Identidade Sexual de Curitiba, Regina Teixeira, as duas pessoas que fizeram a vaginoplastia no final do ano passado se adequaram socialmente, começaram a estudar ou trabalhar, e já têm namorados. Geralmente, antes da cirurgia, o transexual vive isolado, não tem relacionamentos sociais, afetivos e, muito menos, sexuais. Não estudam e nem trabalham.
Depois da resolução do Conselho Federal de Medicina, em outubro de 1997, que permitiu a cirurgia de redesignação sexual em caráter experimental e em hospital-escola, os transexuais podem mudar sua condição. Mas fatores como doenças cardíacas, envolvimento com drogas e vírus HIV impedem a cirurgia.
As próximas operações indicadas pelo comitê devem ocorrer no final do ano, quando duas pessoas completarão o período de avaliação. Hoje, há 23 pessoas sendo acompanhadas e esperando a cirurgia. A faixa etária dos candidatos é de 25 a 48 anos. Em um ano de funcionamento, o comitê recebeu 63 pessoas. A maioria foi dispensada ou encaminhada para tratamento psicológico por serem travestis ou homossexuais, e não transexuais.


