Cirurgia cardíaca é referência nacional
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de outubro de 1998
Cláudia Lopes 
A colagem com Super Bonder de um oríficio no coração de Joana Woitas, de 70 anos, teve repercussão nacional e levou o chefe do Serviço de Cirurgia Cardíaca do Hospital Evangélico, Francisco Gregori Júnior, a sentar no sofá do entrevistador Jô Soares. Mas o HE coleciona outras experiências vitoriosas na área de cirurgia cardíaca, como o fato de ter sido o hospital pioneiro em transplantes do coração no interior do Paraná.
Também foi o primeiro do País a operar com sucesso uma ruptura da aorta toráxica num traumatismo fechado do tórax, em 1988. Uma professora teve sua aorta rompida ao bater o peito contra o volante. Substituímos a aorta por um tubo de plástico. Mas isso só foi possível devido ao rápido atendimento e diagnóstico no pronto-socorro e intervenção imediata, explica Gregori.
Desde 1973, quando o Serviço de Cirurgia Cardíaca foi criado, foram feitas 12 mil cirurgias, segundo ele. São cerca de 60 operações por mês. A média de sobrevida dos pacientes é de 95%. Dos sete transplantes realizados desde 1993, o HE perdeu dois pacientes. Este índice, de mais de 70% de sobrevida, é um dos mais altos do País, garante Gregori. Temos cinco pacientes vivos, sendo que uma das transplantadas conseguiu engravidar e ganhar um bebê. Foi o segundo caso deste tipo no Brasil, conta. Entre os transplantados no HE, há um caso que não possui relato na literatura médica. Um dos pacientes não tinha o saco pericárdico, que envolve o coração. Tivemos que alojar o novo orgão, menor do que o antigo, em cima do diafragma esquerdo e embaixo do pulmão. O coração ficou quase nas costas do transplantado.
O Hospital Evangélico também é considerado referência mundial em plásticas de válvulas por causa de seis técnicas próprias. Uma delas é o anel de Gregori, uma prótese desenvolvida pelo cirurgião, e que vem sendo aplicada desde 1987 na correção de lesões valvulares. Já usamos esta técnica em mais de 400 pacientes em Londrina, informa o médico, que tem mais de 200 trabalhos apresentados em congressos e 70 trabalhos publicados em revistas especializadas no Brasil e exterior. O HE ganhou vários prêmios nacionais por conta destas técnicas.
A cirurgia de arritmia feita pelo HE também virou referência nacional. O hospital tem a maior experiência do País no tratamento cirúrgico de fibrilação atrial, que é uma arritmia comum em pacientes idosos ou com dilatação no coração por problemas valvulares. Segundo ele, uma modificação técnica introduzida pela equipe do HE e publicada nos Estados Unidos substitui o crioablador - um aparelho sofisticado - pela tesoura e bisturi. Com a nossa técnica, denominada cirurgia de Cox sem emprego de crioablação, popularizamos este tipo de intervenção. O HE já fez mais de 80 cirurgias deste tipo.
Formado pela Escola Paulista de Medicina e com mestrado e doutorado na área, o cirurgião afirma que, além de equipamentos de última geração, o Serviço de Cirurgia Cardíaca do HE conta com uma equipe capacitada e criativa. É como corrida de fórmula 1. Para se obter sucesso, é preciso possuir boa máquina e bom piloto. Todo o trabalho é feito em conjunto com anestesistas, enfermagem e fisioterapeutas especializados na área, além de um serviço de UTI e pós-operatório eficaz. Seis médicos e seis residentes trabalham no serviço do HE.


