Cirurgia cardíaca com uso de superbonder completa 5 anos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de março de 2002
Célia Polesel Reportagem Local 
Bela Vista do Paraíso - Hoje é um dia especial no calendário de Joana Messas Woitas, uma simpática senhora de 73 anos que vive em Bela Vista do Paraíso (40 km ao norte de Londrina) e adora jogar baralho e bingo com os amigos. Há cinco anos ela passou por uma cirurgia cardíaca e foi salva por um recurso extremo: teve o coração colado com superbonder.
A história rendeu notoriedade à paciente e ao médico Francisco Gregori Júnior, de Londrina, que recebeu todo o apoio da comunidade médica e da paciente e seus familiares. Dona Joana e a família ficaram sabendo do uso da cola apenas um ano depois da cirurgia, durante uma entrevista do cirurgião a uma emissora de tevê.
As complicações cardíacas de dona Joana começaram em março de 1997, quando ela foi submetida a uma cirurgia para colocação de uma ponte de safena e mamária. Alguns dias depois, já em casa, sentindo fortes dores no peito, retornou ao hospital onde constataram que ela havia sofrido um infarte.
O médico Francisco Gregori Júnior, que operou dona Joana, conta que além do infarto, ela teve uma ruptura no ventrículo esquerdo do coração de 1 cm. Nós ligamos a paciente ao coração artificial e tentamos de tudo para salvá-la. Só não houve um vazamento de todo o sangue do coração por causa da cirurgia que ela havia feito antes.
Gregori explica que o saco pericardíaco - que envolve o coração - estava aderido ao órgão e por isso bloqueava o sangue. Ele conta que tentou usar as colas biológicas e as técnicas comuns de sutura, mas isso só fez aumentar a ruptura que chegou a 2 cm. Depois de 1h30 tentando suturar a abertura eu resolvi usar a superbonder como um último recurso. Tentava isso ou desligava os aparelhos e assinava o atestado de óbito.
O médico usou quatro placas de celulose, que são absorvidas pelo organismo, cada uma com algumas gotas da cola instantânea e deu certo. Eu já havia feito milhares de cirurgias e sabia que se não inovasse perderia aquela paciente, mas foi recurso extremo.
Eu agradeço todos os dias a Deus por ter iluminado a equipe médica que me atendeu. O dr. Gregori salvou a minha vida. Agradeço também ao dr. Icanor Ribeiro por quem tenho um carinho muito especial, pois ele me atende há mais de 20 anos.
Segundo o médico Icanor Ribeiro, que faz o acompanhamento de dona Joana, ela está muito bem e tem uma qualidade de vida muito boa. Dona Joana entendeu que teve uma nova oportunidade de viver. E faz isso com muito prazer e estilo próprio.
O médico Francisco Gregori Junior continua a fazer cirurgias e em maio próximo tomará posse na Academia Paranaense de Medicina. Se usou novamente a cola em cirurgias. Quem sabe?, responde sorrindo.


