Cirurgia aumenta
riscos para a
mãe e o bebê
O Brasil é o campeão mundial de cesarianas. Segundo dados do Conselho Federal de Medicina, 36% dos partos ocorridos no País são por meio desse tipo de cirurgia.
Nos Estados Unidos, país que é o segundo colocado, esse índice é 11 pontos percentuais menor: 25%.
De acordo com dados da 9ª Regional de Saúde, em Foz do Iguaçu, a porcentagem de nascimentos por meio de cirurgia atinge 46%, superando a média brasileira.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera aceitável um índice de cesarianas entre 10% e 15% do total de partos.
Comparada com o parto normal, a cesariana apresenta uma série de desvantagens: o risco de mortalidade materna chega a ser três vezes maior e o risco de infecções aumenta quatro vezes.
Medo da dor A cirurgia só é indicada quando há algum tipo de risco para a mãe ou o bebê. O número de cesarianas é uma das causas principais da alta taxa de mortalidade materna no Brasil - 114 mortes por 100 mil bebês nascidos vivos.
‘‘Desde 1970 para cá, criou-se no Brasil a cultura da cesariana, principalmente por causa do medo da dor durante o parto normal’’, analisa a presidente da Associação Brasileira de Enfermagem (Aben), Maria Goretti David Lopes.
Em parceria com o Conselho Federal de Medicina, a Aben está desenvolvendo a campanha ‘‘Natural é o Parto Normal’’.
O argumento de que a cesariana é menos dolorida do que o parto normal deverá cair por terra.
O Ministério da Saúde passará a pagar anestesia para as mulheres em trabalho de parto. Essa é uma das medidas para combater o alto número de cesarianas no País, que serão adotadas a partir de junho.
O Ministério também deverá fixar um limite desse tipo de cirurgia para cada maternidade conveniada.
Outro investimento na área será para reequipar maternidades e serviços de obstetrícia em 50 cidades com mais de 200 mil habitantes. Também serão realizadas campanhas de combate ao câncer do útero.
Segundo o ministro da Saúde, José Serra, esse conjunto de programas vai consumir R$ 900 milhões por ano. (Valmir Denardin)

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