Cirurgia amplia a capacidade de respiração
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de maio de 1999
Vivian de Albuquerque 
Sem conseguir respirar direito, pelo menos 500 mil pessoas sofrem com as consequências do enfisema pulmonar em todo o Brasil. Mas uma cirurgia que foi testada na década de 50, e que agora começa a ser retomada em todo o País, pode resolver o problema. Foi para falar do processo conhecido como Cirurgia Redutora de Volume Pulmonar, e com a intenção de implantá-la, que o Hospital Evangélico de Curitiba trouxe para participar da 1ª Jornada de Pneumologia, Cirurgia Toráxica e Endoscopia Respiratória, o pneumologista da Santa Casa de Porto Alegre, José de Jesus Camargo.
A operação reduz o volume dos pulmões inchados em até 30%, garantindo novamente ao paciente o funcionamento do órgão. O problema é que essa técnica, explica o pneumologista, é recomendada apenas para 15% dos pacientes enfisematosos. Segundo Camargo, não são candidatos à cirurgia os pacientes fumantes e aqueles que têm sinais de bronquite. E isso justamente por causa do complicado pós-operatório.
O enfisema causa bolhas no pulmão que fazem com que ele inche e pare de funcionar. A cirurgia tira os pedaços do órgão que não atuam mais, abrindo espaço para que ele se reacomode na caixa toráxica. A indicação se faz apenas quando os pacientes têm capacidade pulmonar entre 20 e 35% do previsto, esclarece Camargo. Com a operação eles ganham em torno de 70% a mais de capacidade respiratória, diz. Em Porto Alegre, área de atuação de Camargo, pelo menos 96 pessoas já se submeteram a operação.


