Circulação livre de armas é sintoma da ''doença do poder''
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sábado, 20 de abril de 2002
Maranúbia Barbosa Reportagem Local 
O índice de homicídios que têm ocorrido em Londrina, principalmente entre adolescentes, poderia ser diminuído se houvesse um combate intensivo ao comércio ilegal de armas de fogo. Esta é a opinião da psicóloga Julieta Arsênio, ex-integrante do Conselho Federal de Psicologia. Segundo ela, o montante de crimes registrado na cidade é um reflexo do armamento clandestino, que pode ser assustador. Ela definiu a circulação livre de armas como um sintoma da doença do poder.
A psicóloga, que durante algum tempo realizou testes psicotécnicos em candidatos ao porte, disse que a arma oferece uma falsa sensação de segurança. O fato de o revólver estar no porta-luvas ou junto ao corpo, é uma forma simbólica de se manter a integridade física. Em situações extremas, como em assaltos ou outras abordagens, o elemento surpresa reduz o poder da arma a nada. Pode-se matar ou ser morto com o próprio revólver, observou ela.
Segundo a psicóloga, muitas pessoas que querem tirar o porte passam por todas as fases, inclusive o exame técnico-balístico, mas temem o teste psicotécnico. Ela afirmou que chega a receber pedidos via fax de pessoas que não se importam em pagar qualquer preço para ter o porte liberado. De acordo com a psicóloga, são justamente essas pessoas que têm poucas condições psicológicas para portar armas. Em caso de reprova o psicólogo é o primeiro candidato a ser morto, afirmou.
Entre os adolescentes, explicou Julieta Arsênio, que sentem necessidade de serem aceitos no grupo, a posse das armas significa força. Eles imaginam que portar um revólver pode ser sinônimo de invencibilidade e de aventuras perigosas . O que ocorre disso tudo, disse a psicóloga, é a estatística dos assassinatos. Foi-se o tempo em que, como nos filmes, quem morria era o bandido.


