‘Ciranda’ provoca
troca de delegados
em Curitiba
Polícia Civil altera comando de oito distritos, mas
afirma que operação é rotineira para ‘‘evitar acomodação’’
Cúpula da polícia
nega que mudanças
sejam decorrentes de
onda de violência
Ana Clara Garmendia
Especial para a Folha
Arquivo FolhaTrocaKiyoshi Hattanda deixa a Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas para Hamilton da Paz e, depois de dois anos distante, volta ao 8º Distrito, no PortãoA troca de comando em oito delegacias de Curitiba, definida no final de semana, foi uma operação rotineira - a ‘‘ciranda’’, no jargão policial - e, segundo o assessor do delegado geral Artur Braga, Cláudio Fernando Cunha Telles, não tem relação com a onda de violência que se abateu sobre a cidade nas últimas semanas. As mudanças, explicou ontem Telles, são feitas para ‘‘evitar acomodações’’ nas delegacias e, com isso, combater a violência ‘‘de forma mais eficaz’’.
Dois delegados ouvidos ontem pela Folha confirmaram que a ciranda foi de rotina, pois nenhuma das áreas envolvidas vinha apresentando problemas. ‘‘Se fosse em alguma divisão policial estratégica, isoladamente, seria possível imaginar que algo não ia bem no setor’’, disse um deles. As mudanças ocorrem periodicamente para que os delegados ‘‘não se sintam intocáveis e sim estimulados a mudar’’.
Arquivo FolhaDe voltaSaindo da Divisão de Investigações Criminais, Agenor Salgado volta a chefiar a Delegacia de HomicídiosHamilton da Paz assume a Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas, em substituição a Kiyoshi Hattanda, que, depois de dois anos distante, voltou ao 8º Distrito, no Portão.
O lugar antes ocupado por Hamilton no 9º Distrito, em Santa Quitéria, fica com James Thompson. Luís Fernando Artigas Júnior sai do Centro de Operações Policiais Especiais e vai para o 12º Distrito, em Santa Felicidade. Já o 3º Distrito, nas Mercês, passa para o delegado Alcimar Garret, enquanto o 1º Distrito terá como titular Renato Godoy.
Para o cargo de delegado adjunto de Investigações Criminais foi designado Adonay Armstrong, que deixou o 5º Distrito. Deixando a Divisão de Investigações Criminais, Agenor Salgado volta a chefiar a Delegacia de Homicídios.
O novo titular do 12º Distrito, Luís Fernando Artigas Júnior, acredita que as alterações funcionam como ‘‘uma oxigenação’’ e que todos os delegados estão aptos a desempenhar as novas funções. Ele já está em contato com a comunidade de Santa Felicidade para levantar as necessidades da região. ‘‘Com isso podemos realizar operações contra a violência de maneira mais específica’’, conta.
Para Marco Antônio Lagana, delegado titular da Divisão Policial da Capital, o que foi feito é rotineiro, mas as operações contra a crescente violência na cidade devem aumentar. Ele prevê a ação conjunta entre as Polícias Civil e Militar como prioridade no combate à onda de crimes. ‘‘Tais ações são uma determinação do governador, que quer uma baixa imediata nos índices registrados na capital’’.

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