Ciranda de delegados gera protesto de agentes comunitários
Ciranda de delegados gera
protesto de agentes comunitários
Líderes argumentam
que a ciranda tem
relação direta com o
aumento da violência
James Alberti
Arquivo FolhaA saída de Ézio Vicente da Silva, da Delegacia de Furtos de Veículos, não agradou representantes de conselhos comunitários, que afirmam que o delegado conseguiu baixar entre 20% e 25% o número de roubo de carrosA troca de comando em oito delegacias de Curitiba, definida no final de semana passado, não agradou os representantes dos 60 Conselhos Comunitários de Segurança. Ontem, as lideranças se reuniram no auditório do 2º andar da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná, e elaboraram documento, a ser entregue ao governador Jaime Lerner, no qual se colocam contra a saída de dois delegados de forma especial: Ézio Vicente da Silva, que deixa a Delegacia de Furtos de Veículos, e Adauto Abreu de Oliveira, que saiu da Delegacia Anti-Tóxicos.
Os dois vinham fazendo um grande trabalho, disse João Dario de Oliveira, assessor de assuntos comunitários da Secretaria de Segurança e coordenador dos Conselhos Comunitários. O Ézio, por exemplo, tinha baixado entre 20% e 25% o número de furtos de veículos, afirmou. Os conselheiros alegam que o delegado também trabalhava para desmantelar desmanches de carros furtados.
Arquivo FolhaO delegado Adauto Abreu de Oliveira, autor de denúncia contra 33 policiais que estariam envolvidos com o tráfico de drogas, foi transferido da Delegacia Anti-Tóxicos para o Grupo Fera
Já Adauto Abreu de Oliveira tem sua ação destacada por ter denunciado 33 policiais que teriam envolvimento com o tráfico de drogas. No documento feito ontem também devem constar algumas sugestões para combater a violência na capital, entre elas a unificação das polícias Civil e Militar.
A troca de delegados, chamada de ciranda no jargão policial, foi considerada de rotina pelo assessor do delegado-geral Artur Braga, Cláudio Fernando Cunha Telles. Em entrevista à Rádio CBN, Braga disse que os Conselhos não tem porquê opinar quanto às trocas. O que interessa para a polícia eu sei, ninguém precisa me dizer. Telles já havia afirmado segunda-feira que as mudanças não têm relação com a onda de violência que se registra em Curitiba nas últimas semanas. Segundo ele, as mudanças foram feitas para evitar acomodações nas delegacias.
Mas o coordenador dos Conselhos Comunitários não acredita nessa versão. Para Dario de Oliveira, a ciranda tem relação direta com o crescimento da violência. De fato, o delegado Marco Antônio Lagana, titular da Divisão Policial da Capital, também afirma que a ciranda não passa de rotina, mas ele revelou que as operações contra a crescente violência na cidade devem aumentar, com uma possível ação conjunta entre as polícias Civil e Militar. Tais ações são uma determinação do governador, que quer uma baixa imediata nos índices registrados na capital.





