A Central de Notícias dos Direitos da Infância e da Adolescência (Ciranda) divulga hoje à noite, em Curitiba, os resultados da quarta edição da pesquisa sobre a cobertura da mídia impressa paranaense em relação a temas ligados à criança e adolescentes. A organização destaca que o número de reportagens publicadas pelos oito veículos paranaenses cresceu mais de 30% em comparação com o ano anterior, porém ressalva que a qualidade das matérias continua a desejar. Pelo terceiro ano consecutivo, a Folha de Londrina ocupa a liderança em número absoluto de reportagens publicadas e é apontado como o jornal mais preocupado com o assunto no Estado.
Conforme o relatório que será divulgado hoje, foram avaliadas durante todo o ano passado 19.243 inserções relacionadas à infância e adolescência nos oito maiores jornais diários paranaenses. Segundo a coordenadora executiva da Ciranda, Paula Baena, a boa notícia de que o Estado foi o que mais discutiu os direitos da infância e adolescência no país pode encobrir uma outra ruim: a de que a qualidade da cobertura ainda precisa ser melhorada. Segundo a pesquisa, ''quase 75% dos textos publicados foram puramente descritivos'' e não se preocuparam em apontar soluções.
Neste ano, a metodologia foi alterada e as reportagens foram classificadas em 36 temas. Os mais comentados pelos jornais foram educação vários níveis de ensino e violência vítimas de atos violentos. Os que mereceram menor atenção, e a Ciranda alerta que são temas urgentes, foram mortalidade infantil e situação de rua.
Dentre as fontes mais utilizadas, a policial continua dominando os jornais e apareceu em 13,81%. Outro dado preocupante é que em 12,55% dos textos não traziam fonte alguma. Em seguida ficou o Poder Executivo Municipal, com 10,39%, seguido por especialistas, com 8,96%. Para a Ciranda, ''o jornalismo paranaense perde por não apostar na pluralidade de fontes'', porque perde a oportunidade de ampliar as discussões. Segundo a pesquisa, os jornais também se preocuparam pouco em usar fontes estatísticas para enriquecer seus conteúdos.
A Folha de Londrina, mas uma vez, mereceu um lugar de destaque entre os oito periódicos avaliados. Nos últimos três anos, o jornal ocupa a liderança no número absoluto de reportagens publicadas. Em 2003, a Folha publicou 3.258 matérias sobre infância e adolescência (25,45% do total publicado), contra 2.908 do segundo colocado. Outro elogio feito ao jornal foi o fato de que 22,38% das inserções focavam soluções para problemas. Assim como no ano de 2002, o jornal também foi o que mais ouviu o Conselho Tutelar. Como pontos negativos da Folha, a pesquisa destacou o uso de termos pejorativos e o uso da polícia como única fonte.
A Ciranda é uma das 11 agências no Brasil que integram a rede da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Rede Andi), que contabilizou quase 100 mil inserções em 50 jornais impressos e oito revistas. A Ciranda atua discutindo temas, propondo pautas e trabalhando para melhorar a qualidade de vida das crianças e adolescentes paranaenses. Como acontece todos os anos, a agência escolheu um tema para aprofundar as discussões: o recorte especial de 2004 são as ''Políticas Públicas''. Além de divulgar os resultados da pesquisa, a Ciranda apresenta o novo site da instituição (www.ciranda.org.br), elaborado para facilitar a consulta, aquisição de dados e informações.


TOTAL DE INSERÇÕES POR VEÍCULO

JORNAL 2001 2002 2003

Folha de Londrina 2.138 3.192 3.258
Gazeta do Povo 1.966 2.438 2.908
O Paraná 1.181 2.191 2.721
Gazeta do Paraná 1.012 1.800 2.679
O Estado do Paraná 1.198 1.930 2.393
Diário dos Campos * **716 1.962
Jornal do Estado 905 1.624 1.867
Tribuna do Paraná * **725 1.455

* Jornais não clipados em 2001;
** Tribuna do Paraná e Diário dos Campos só passaram a ser clipados a partir de julho e agosto de 2002, respectivamente.

Fonte: Pesquisa Ciranda / Rende Andi (Janeiro a dezembro de 2003)

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