UMUARAMA - As cinzas da brasileira Masayo Fujiharo, 29 anos, encontrada morta no último dia 26 em Maruoka, no Japão, foram sepultadas ontem à tarde no cemitério de Serra dos Dourados, no município de Umuarama. As cinzas chegaram anteontem à noite e foram trazidas por um dos três irmãos de Masayo que moram no Japão. A família manteve distância dos jornalistas, já que as declarações feitas no Brasil não teriam repercutido bem no Japão, principalmente entre os familiares. Crianças teriam ficado chocadas com o noticiário em português.
Junto com as cinzas de Masayo, vieram também as do companheiro dela, Carlos Alberto Oseko, 30 anos. As cinzas do rapaz serão enviadas hoje para a família dele em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, na divisa com o Paraguai. A emoção tomou conta do final do velório de Masayo. A mãe e outras mulheres descendentes de japoneses choravam muito. Centenas de pessoas acompanharam as cinzas até o cemitério.
Masayo e Oseko foram encontrados mortos no domingo, dia 26, num abismo da rodovia 364, que liga as cidades de Fukui e Ishikawa, na província de Maruoka. A polícia suspeita que os dois tenham sido mortos pelo menos uma semana antes, devido o estado dos corpos. De acordo com a agência International Press Corporation, do Japão, a polícia de Fukui reforçou a equipe de investigadores responsáveis pelo caso. Foram designados 153 homens para encontrar os assassinos.
A primeira fase de investigações já foi encerrada, mas nenhuma pista contundente foi encontrada. Os policiais continuam à procura de um carro, de cor branca, usado por Oseko. Não se sabe se o veículo foi usado no crime ou não. Os investigadores teriam descoberto que o automóvel era de uma prima do casal, que retornou ao Brasil. Como o carro tinha pouco valor comercial, Oseko ficou encarregado de amassá-lo ou passá-lo adiante.
Os investigadores também estão tentando encontrar portas internas do apartamento em que os dois viviam e que teriam desaparecido após o crime. A polícia teria apurado que Eduardo Augusto, irmão de Oseko, jantou no apartamento do casal no dia 20, um domingo, e no dia seguinte os dois não compareceram ao trabalho. Funcionários da BR Japan, eles prestavam serviços à Tecelagem Kimura Monshi.
Preocupado com a ausência dos dois, Eduardo teria passado na residência do casal no dia 21 à noite, e já no dia 22 deu queixa do desaparecimento à polícia. Familiares de Masayo teriam confirmado que um irmão da nikkei emprestou 3 milhões de ienes a Oseko, o que mostra que ele estaria com dívidas. Amigos e donos de empresas onde o casal trabalhou continuam sendo ouvidos.

mockup