Cinto de segurança é 'esquecido' no banco traseiro
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terça-feira, 15 de julho de 2003
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
''Numa batida a 60 quilômetros por hora, uma criança sem cinto é projetada com a força de uma tonelada em direção aos assentos da frente'', alerta o traumatologista londrinense Plácido Arrabal. ''Calculo que haja mortes em 90% dos acidentes envolvendo pessoas que não utilizam o cinto'', ele diz. Pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) no Rio e em São Paulo mostra que a maioria dos passageiros transportados no banco de trás dos veículos não utiliza cinto de segurança.
®MDNM¯ Um número dessa pesquisa é particularmente impressionante: segundo a Associação Brasileira de Medicina de Trânsito (Abramet) e a própria SBOT, 85% das mortes dos ocupantes do banco frontal em acidentes de trânsito são causadas pelo deslocamento de passageiros do banco traseiro sem cinto de segurança. A SBOT está lançando uma campanha para conscientizar a população dos grandes centros sobre a necessidade do uso do cinto também entre os passageiros dos assentos traseiros.
O artigo 167 do Código de Trânsito Brasileiro, em vigor desde janeiro de 1998, aponta que não utilizar o cinto de segurança (tanto para motoristas quanto para passageiros) é infração grave, que rende cinco pontos na carteira e multa de R$ 127,69. Porém, o tenente Anderson Cortez, do Corpo de Bombeiros, relata que o londrinense utilizava mais o cinto no primeiro ano de vigência do Código. Segundo ele, as pessoas usavam o cinto por medo das multas. ''Hoje, se a polícia parar 10 carros, em apenas um os passageiros do banco traseiro vão estar com o cinto'', aponta.
De acordo com ele, não há consciência da importância do cinto. ''Já vi muitas vezes pessoas colocando o cinto só porque viram um policial fardado nas proximidades. Estão enganando a si próprias'', afirma.
O traumatologista Plácido Arrabal afirma que o cinto também tem suas desvantagens, como o efeito chicotada: em uma batida, o corpo do motorista fica preso ao assento e a cabeça vai para a frente violentamente, o que pode ocasionar fratura. ''Mas se é ruim com ele, muito pior sem ele'', afirma.


