Cintilografia ajuda a detectar câncer de mama
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de outubro de 1998
Benê Bianchi 
O exame denominado cintilografia mamária, utilizado para detectar câncer de mama, já pode ser feito em Londrina. Embora a técnica tenha sido desenvolvida, no Brasil, há quatro anos, o exame começou a ser realizado na cidade há apenas um mês. O método precisa de melhor divulgação, pois está sendo subutilizado, analisa a médica nuclear Rejane Tavares de Lima, que participou do desenvolvimento da técnica, no Incor, em São Paulo, junto com os médicos Cláudio Meneghetti e Alfredo de Barros.
O método foi divulgado por Rejane de Lima durante o 41º Congresso Médico de Londrina, realizado semana passada, no Hotel Sumatra. Ela ressalta que a cintilografia não substitui a mamografia. Este exame continua sendo o mais indicado para triar a população da possibilidade de ter câncer de mama, porque ele detecta nódulos bastante pequenos, observa.
Segundo a médica, apesar da mamografia ser altamente sensível, ela ainda apresenta algumas limitações. Entre elas, Rejane de Lima cita a mama densa, que dificulta a análise da mamografia; a mama que já passou por cirurgia plástica, retirada de nódulos ou que possui prótese. Nestes casos, a cintilografia entra como um método auxiliar, detectando aspectos que não puderam ser definidos pela mamografia.
Qualquer estudo não invasivo que complemente e ajude no diagnóstico precoce do câncer de mama é muito bem vindo, comenta Rejane de Lima. Ela lembra que a doença é a que mais mata mulheres em todo o mundo. Só nos Estados Unidos, foram detectados 183.700 novos casos, em 95, e a incidência vem aumentando de 3% a 4% ao ano. A médica observa que o grande número de casos pode estar sendo detectado justamente porque existem métodos mais avançados para se diagnosticar a doença precocemente.
Ela ressalta ainda que os cuidados para evitar o desenvolvimento da doença devem ser rotineiros, começando pelo auto-exame que deve ser feito mensalmente. Além disso, a médica aconselha a realização de exame médico a cada dois anos para mulheres até 40 anos e anualmente com idade acima dos 40, para verificar se há alguma alteração; e a realização de uma mamografia aos 40 anos, com a repetição do exame a cada dois anos entre os 40 e 50 anos. Acima desta idade, o exame deve ser feito anualmente. Isso se não ocorrer nada de estranho, alerta.
A realização da cintilografia é bastante simples. É injetado, na veia da paciente, a substância sestamibi, que se fixa nos locais onde há tumores. Em seguida, é feita a fotografia dos seios. De acordo com a médica, o exame está disponível para os pacientes de todos os convênios médicos e também para pacientes do Hospital Universitário.


