O plim da luz apagando ninguém ouviu, mas o escuro do cinema encheu com o alarde da novidade, a sala de projeção onde alguns dos jovens, adolescentes e crianças excepcionais pisaram pela primeira vez. A sessão especial foi oferecida pelo Cine Catuaí, como parte da programação da Semana Nacional do Excepcional.
Num zaz, que pode ser o tempo de um piscar de olhos ou do último espectador se acomodando na poltrona, toda a platéia já estava no Central Park Zoo, de Nova York, acompanhando as peripécias do leão Alex e seus melhores amigos, a zebra Marty, a girafa Melman e a hipopótamo Gloria.
A turma de espectadores chegou ao cinema de ônibus de escolas especiais de Londrina e de cidades da região, como Alvorada do Sul (68 quilômetros ao norte de Londrina), Primeiro de Maio (61 quilômetros ao norte de Londrina) e Bela Vista do Paraíso (40 quilômetros ao norte de Londrina), entrando com tudo no enredo do desenho animado ''Madagascar'' (EUA, 2005).
Tadami Suguimati Júnior, de 19 anos, preferiu a companhia da avó, a aposentada Benedita Lopes da Silva, de 71, com quem chegou cedo ao cinema, esperando pelo restante da turma.
''A princípio, o meu neto não queria vir, preferindo assistir desenho na televisão. Conforme fomos chegando, ele mudou de idéia'', lembrou a dona Benedita, que também é a companhia preferida de Tadami para ir ao Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece), onde o rapaz estuda.
Em grupo e em fila indiana, a platéia desembacou para a viagem, que a transportaria até Nova York e de lá para a ilha de Madagascar - cenários das aventuras dos personagens. Tudo isso sem se desgrudar da poltrona.
No meio dos convidados, olha quem a gente encontrou.
''O meu nome é Maykon. Maykon Jackson''.
O jovem de 20 anos se apresentou com um sorriso, que parece ser um cartão de visitas do próprio nome. Qualquer semelhança com o do Michael famoso não é mera coincidência, mas a constatação de que os pais são fãs do astro pop.
''É a primeira vez que venho ao cinema. Não tenho nem idéia de como deve ser. Espero que eu goste'', afirmou Maykon Jackson.
Ao apagar das luzes teve gente que ficou com medo:
''Tia, tenho medo de cinema'', sussurrou a voz escondida, sendo tranquilizada pelas primeiras cenas do desenho.
''A Semana Nacional do Excepcional tem o objetivo maior de fazer a inclusão dos nossos alunos com a sociedade. Eventos como este são uma oportunidade boa para incluirmos os excepcionais no contexto social e uma chance de acesso de alguns alunos carentes às coisas que no cotidiano não têm'', ressaltou a coordenadora do Ensino Profissionalizante do Ilece, Vera Lúcia de Mello.
Quando, o rei do zoológico e amigos fogem pelo metrô norva-iorquino, sendo capturados, indo parar em Madagascar, onde encontram uma comunidade de lêmures, a platéia já está à vontade.
E vão tão longe na aventura que aplausos não bastam para dar conta do contentamento.
Nas duas horas de sessão, o riso não se importa em dividir a cena com o choro de alguns espectadores, que agora não é de medo do escuro, mas de emoção.
No final da exibição, o nosso Maykon Jackson já era doutor em cinema, aprendendo também que a vida, como ensinou os personagens do desenho animado, apara as diferenças.

SERVIÇO
Programação da Semana Nacional do Excepcional
- Amanhã, às 15 horas - jogo de futebol com os pais dos alunos na subsede do Ilece, Avenida Eurico Gaspar Dutra, 80.
- Será realizada até domingo, no Carrefour, uma exposição com venda de produtos confeccionados pelos alunos do Ilece.

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