Marcos NegriniFuncionários da Igreja Universal retiram cartazes e letreiros do Cine HorizonteO primeiro e maior cinema de Maringá, inaugurado em 1951, fechou suas portas. A partir de domingo, os evangélicos da Igreja Universal do Reino de Deus passarão a ocupar as 1.600 poltronas do Cine Horizonte. A última sessão foi no domingo passado, com a exibição de ‘‘Hércules’’, de Walt Disney, à tarde, e de um filme pornográfico, à noite.
Nos primeiros quinze anos, o cinema funcionou na Avenida Brasil. Eduardo Del Grossi, 52 anos, proprietário da Empresa Cinematográfica Horizonte Ltda, explica que a demanda o obrigou a mudar de local. No dia 25 de março de 1966, ele inaugurou a nova sala na Avenida Riachuelo, no bairro Jardim Operário, com 3 mil metros quadrados de área construída.
As cadeiras vermelhas são antigas, confortáveis e bem conservadas. O palco é grande e ali já se apresentaram ‘‘Os Incríveis’’, Vanderléa, Erasmo Carlos e Nelson Gonçalves. Entre as décadas de 50 e 80, foi a principal sala de espetáculos da cidade.
A sala foi arrendada por cerca de R$ 15 mil mensais, à Igreja Universal do Reino de Deus. Segundo Eduardo, ‘‘estava dando muito trabalho manter o cinema funcionando’’. Os sete funcionários do cinema irão trabalhar com os evangélicos.
Eduardo conta que o maior trabalho era manter o sistema de projeção de carvão metálico em funcionamento. ‘‘O carvão é importado e está rareando no mercado. Tentei transformar o sistema para o de lâmpadas Xenon, mas não deu certo. É que hoje se constroem cinemas pequenos. Acabou o tempo das grandes salas’’.
CulturaAinda menino, ele acompanhava as projeções no antigo prédio da Avenida Brasil, feitas pelo seu pai, fundador da empresa: ‘‘Era como no filme ‘Cinema Paradiso’. Acho que é uma pena ter de fechar a sala, pois a cidade vai perder muito. O público de todas as idades e religiões vai perder um ponto de cultura, pois cinema é cultura’’.
Os filmes ‘‘Quelé do Pajeú’’, ‘‘Menino do Rio’’ e ‘‘O Caso dos Irmãos Naves’’ renderam o maior público do cinema. Eduardo sempre deu preferência aos filmes nacionais: ‘‘Adoro o Glauber Rocha’’.
Funcionários da Igreja Universal retiraram ontem os letreiros e cartazes do Cine Horizonte e iniciaram a troca do carpete vermelho por um de cor grafite. As paredes serão pintadas de branco.

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