Cineasta diz que selecionados vão atuar
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de setembro de 1998
Celina Alonso Az 
Em Maringá, Júlio Capriglione, dono da empresa que está selecionando candidatos, prometeu que todos os atores selecionados em Londrina, e que pagaram taxa de R$ 100,00 para fazer curso de filmagem para televisão, serão aproveitados em novela que ele está rodando na região Noroeste do Estado. A novela teria 12 capítulos : Estamos na 30ª cena do primeiro capítulo, disse o suposto diretor.
Ele disse que fez testes com quase 300 candidatos. Cada um pagou R$ 10,00. Os 80 selecionados pagaram R$ 100,00 pelo curso que estaria sendo orientado por ele mesmo.
Já em Curitiba, o presidente do Sindicato dos Artistas de Teatro e Espetáculos de Diversão do Paraná, Graziani Costa, sugere às pessoas que forem contratadas para trabalhar com ele que peçam seu registro profissional. Ele, o Júlio, não tem registro profissional nem em São Paulo, nem no Rio de Janeiro e muito menos no Paraná. Para Graziani, Capriglione exerce ilegalmente a sua profissão.
Segundo o sindicalista, ele deu um golpe em Curitiba em mais de mil pessoas que se inscreveram para fazer o teste para a novela. Destas, 50 foram selecionadas e tiveram que pagar R$ 100,00 por um curso que até agora não foi realizado. O sindicato entrou com uma queixa contra Capriglione na Delegacia do Consumidor de Curitiba (Decon).
À Folha, Capriglione tentou provar que tem registro profissional, mas esqueci de trazer a carteira de trabalho. Ele disse que é registrado há cinco anos no Sindicato da Indústria do Cinema e da Televisão do Estado de São Paulo. A reportagem verificou e descobriu que não existe sindicato com este nome em São Paulo. O nome mais parecido com este é o Sindicato da Indústria Cinematográfica do Estado de São Paulo, que registra apenas os diretores de cinema. Neste sindicato, segundo a diretora Teca Melo, não existe nenhum Júlio Capriglione registrado. Segundo Capriglione, o sindicato mudou de endereço há pouco tempo, e por isso ele não sabe dizer onde funciona. O sindicado dirigido por Teca funciona na Praça Dom José Gaspar, número 30, 6º andar, há oito anos.
A Folha pesquisou outro sindicato: o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica do Estado de São Paulo. O funcionário Francisco Potier, deste sindicato que registra apenas os técnicos de cinema, disse que nunca ouviu falar em Júlio Capriglione.
Capriglione também disse que sua empresa está registrada como W.J. Propaganda e que há dois anos não paga Imposto de Renda. Ele usa o nome fantasia Companhia Brasileira de Cinema (CBC) para fazer filmes e Companhia Califórnia para fazer seriados para a televisão. É contra a CBC que foi registrada queixa na Delegacia do Consumidor de Curitiba. Ele afirmou também que já fez dois filmes, mas que até agora não teve condições financeiras para editá-los.


