Cinco são presos durante Operação Fumo
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segunda-feira, 21 de julho de 2008
Diego Ribeiro<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma quadrilha acusada de montar empresas de fachada para sonegar impostos em grandes compras de fumo foi desmantelada, no domingo, pelo Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), com apoio da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc) e a polícia de Santa Catarina. De acordo com o delegado chefe do Nurce, Sérgio Inácio Sirino, a quadrilha teria causado um rombo de cerca de R$ 50 milhões aos cofres públicos paranaenses e catarinenses nos últimos três anos. ''O líder da quadrilha e seu contador montavam empresas fantasmas com notas falsas e passavam pelos postos da Receita Estadual'', explicou o delegado. A Operação Fumo, assim chamada, prendeu cinco pessoas no Paraná e seis em Santa Catarina.
Segundo a polícia, o núcleo da quadrilha atuava em União da Vitória, São Mateus do Sul, Rio Azul, Irati, Rebouças, Piên e nos municípios de SC como Porto União, Maravilha e Florianópolis. A ação faz parte de uma investigação que foi desencadeada na Operação Integridade I, em julho de 2006, quando o Nurce e o Ministério Público (MP) Estadual prenderam seis auditores fiscais da Receita Estadual do Paraná suspeitos de participarem de um esquema em que faziam ''vistas grossas'' para liberar carregamentos nos postos de União da Vitória e General Carneiro. Na ação do Nurce de domingo, foram detidos os suspeitos de serem os agentes corruptores daqueles auditores.
A quadrilha, conforme explicação do delegado Sirino, abria empresas fantasmas, em nomes de ''laranjas'', para realizar compras de fumo em folhas. ''A compra era feita direta com os produtores e o fumo era revendido para empresas de manufaturas de cigarros do Rio Grande do Sul'', contou o delegado, que concluiu, durante a investigação, que as empresas fabricantes de cigarros e os produtores não tinham nenhuma ligação com o esquema fraudulento. O delegado Sirino apontou como líder da quadrilha o ex-prefeito de Campo Erê (SC), Darci Furtado, que está foragido.
Com as empresas fantasmas abertas, a quadrilha deixava de recolher o Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Prestação de Serviços (ICMS). ''Eles deixavam de pagar o imposto até alguém descobrir. Depois, sumiam e abriam outra empresa, fazendo sempre um rodízio até a empresa fantasma estourar'', explicou o delegado.
A polícia conseguiu confirmar que o esquema funcionava há três anos, mas acredita que a quadrilha atuava há mais tempo. Durante a operação a polícia apreendeu diversos carros, caminhões, cerca de R$ 5 milhões em cheques, computadores e blocos de notas das empresas de fachada. Foram cumpridos 26 mandados de busca e apreensão. A FOLHA não conseguiu contato com a defesa do ex-prefeito de Campo Erê.


