Cinco presos ficam feridos durante rebelião em Apucarana
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2002
Emerson Dias 
Cinco presos ficaram gravemente feridos durante uma rebelião ocorrida na madrugada de ontem, no mini-presídio de Apucarana. A confusão começou porque um botijão de gás cedido irregularmente aos detentos explodiu dentro de uma das celas.
Segundo os policiais militares de plantão no local, o tumulto começou às 20h30 de anteontem e se estendeu noite afora. Um grupo de encarcerados estaria tentando perfurar a parede para fazer um telefone (buraco feito para que os presos possam conversar e trocar objetos), quando a válvula de um fogareiro rompeu, provocando o incêndio. Como os agentes demoraram para prestar socorro (precisaria das autorizações do 10º Batalhão e da Polícia Civil), os demais detentos decidiram atear fogo nos colchões como protesto, iniciando a rebelião.
Estavámos com apenas três policiais aqui. Precisávamos acionar reforços para conter os ânimos, disse o cabo Natalino Felix Machado. Segundo ele, duas equipes do Grupo de Operações Especiais (GOE) foram chamadas, assim como toda a guarnição que trabalhava na madrugada, totalizando 25 PMs.
Os presos com ferimentos mais graves, que ocupavam a primeira cela em chamas, foram levados para o Hospital da Providência. Agnaldo Natalino da Silva, Reginaldo de Jesus Isabel, Marcelo Aparecido Faustino, Osni Alves Pereira e Vagner Galvão estão na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em estado grave. Médicos de plantão disseram que as queimaduras atingiram mais de 80% do corpo de algumas das vítimas. A equipe aguardava no final da tarde de ontem uma autorização da Central de Leitos para transferir os feridos. Como não havia vagas em Londrina e Curitiba, existia a possibilidade dos presos serem levados a Brasília.
O protesto terminou somente depois das 8 horas de ontem. Segundo o delegado Acácio Gonzaga de Azevedo, foi solicitada uma perícia para levantar os prejuízos e avaliar os responsáveis pelo incêndio. Aqueles que forem identificados podem responder processo por danos ao patrimônio público e incêndio criminoso.
Sobre a manutenção irregular de botijões de gás nas celas, o delegado disse que era um benefício oferecido aos presos para amenizar as dificuldades dos presos, que usavam fogareiros para aquecer comida. O problema foi levantado e acabamos eliminando. Todos os botijões foram recolhidos.
O mini-presídio possui 26 celas com capacidade para 80 detentos, mas abriga 108 pessoas.


