Cinco pacientes aguardam vagas na UTI
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quinta-feira, 23 de setembro de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Praticamente uma ala inteira do Pronto Socorro (PS) do Hospital Universitário (HU) de Londrina teve que ser improvisada ontem para abrigar cinco pacientes em estado grave que não conseguiram vagas em unidades de terapia intensiva (UTIs) em hospitais da região. Por conta do excesso de pacientes, o PS novamente esteve fechado ontem e só atendeu casos de urgência e emergência.
A espera de um dos pacientes, Aparecido Gomes, 68 anos, era de quase dois dias. Ele teve um derrame e foi internado na noite de anteontem. Até o final da tarde de ontem, ele e os demais pacientes ainda aguardavam vaga em um dos hospitais da região. Os outros pacientes eram vítimas de derrame, leucemia e traumatismo craniano.
O chefe do PS, o médico Marcos Camargo, admite que o atendimento dos pacientes não é o ideal mas é a única alternativa do hospital. ''Somos obrigados a montar UTIs precárias nas enfermarias, com qualidade precária de atendimento, até surgir uma vaga'', afirma. O HU possui 29 leitos de UTI, sendo 17 para adultos.
Ele também afirma que a partir da implantação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e Emergência (Samu) aumentaram os casos de urgência e emergência enviados ao hospital. Por outro lado, mesmo com o serviço, segundo ele, a demanda espontânea uma das principais causas da superlotação dos PS não foi contida. ''As UBS (unidades básicas de saúde) continuam encaminhando pacientes para cá que não são de urgência e ainda não conseguimos evitar que a população venha diretamente aqui, é uma cultura'', afirma.
No caso da dona-de-casa Cecília Botelho Cordeiro Ortega, 40 anos, o HU foi a única solução viável na hora do desespero. Mesmo sabendo que não haviam vagas, ela levou a mãe, Cecília Maria, 66 anos, diretamente ao hospital depois que a senhora caiu de uma escada em Florestópolis (73 km ao norte de Londrina). ''Vim sem encaminhamento, então entrei aqui correndo para não dar tempo do pessoal me impedir'', afirma.
A mãe dela estava inconsciente e respirava com ajuda de aparelhos em um leito da enfermaria. A filha estava revoltada com a falta de vagas. ''Tem o Estatuto do Idoso e tanta lei que garante nosso direito à saúde mas na hora isso não vale nada'', desabafa.
O coordenador da Central de Leitos, Édio Gomes de Carvalho afirmou que apenas dois pacientes, ambos do HU, estavam na fila por um leito. Até o final da tarde, entretanto, nenhuma vaga tinha sido obtida.
O secretário de Saúde de Londrina, Sílvio Fernandes creditou o problema à falta de estrutura generalizada do setor de saúde. ''Não acredito que faltem vagas de UTI em Londrina mas em todo país e na região, depois que houve o aumento de 12 novos leitos adultos e sete pediátricos a cidade ficou com o mesmo índice de cobertura da capital do Estado'', comentou.


