Cerca de 120 pessoas de cinco gerações da família da líder regional da Pastoral da Terra, Maria Isolina Pinheiro, conhecida como dona Lina, estiveram reunidas anteontem no salão paroquial da Igreja Santa Rita de Cássia, no Jardim Califórnia (zona leste de Londrina). Elas comemoraram o aniversário da mãe de Isolina, Maria Emília de Jesus, que completou 80 anos. Depois de uma missa e um culto ecumênico em ação de graças, um almoço acompanhado de bolo e presentes marcou o dia para a família.
Nascida em São João Nepomoceno (MG), Maria Emília teve 14 irmãos. Eles são descendentes de uma família de escravos. ‘‘Minha mãe trabalhou na lavoura como escrava até os 16 anos e eu, depois dos 14 anos, trabalhei para um fazendeiro, também em regime de semi-escravidão’’, contou Maria Emília. Porém, hoje ela se orgulha deste fato por ter gerado uma família bastante dedicada ao trabalho.
‘‘Eu criei 10 filhos meus e oito adotivos. Todos estão muito bem encaminhados’’, disse dona Maria Emília. Seus 18 filhos lhe deram 34 netos, 38 bisnetos e 5 tataranetos. Quem se orgulha de dona Maria Emília são os irmãos dela. ‘‘Ela sempre foi muito dedicada. Além de cuidar dos próprios filhos, quando nossa mãe faleceu, ela terminou de nos criar’’, lembrou o irmão Sebastião Emílio da Silva, 56 anos.
Para a líder comunitária Maria Isolina, a festa, além de resgatar a história da família, foi uma grande confraternização. ‘‘Nós descobrimos que a mãe é uma das descendentes do povo paconé, de origem africana, que hoje existem somente 10 grupos no País. Isso para nós é muito importante. Sem contar que foi uma oportunidade de rever todos os parentes que estavam distantes’’.Paulo WolfgangConfraternizaçãoDescendente de família de escravos, Maria Emília de Jesus, diz orgulhosa: ‘‘Criei 10 filhos meus e oito adotivos’’Luciane Tonon

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