Em 1999, Edílson (nome fictício) terminou de cumprir sentença por homicídio. Apenas em 2004 ele tomou a iniciativa de pedir a reabilitação. Desde que encerrou a pena, não conseguiu emprego de carteira assinada. ''Você faz uma entrevista de emprego, o sujeito te trata bem, é simpático. Aí tenho que apresentar o certificado de antecedentes criminais e a conversa já muda. É aquela coisa, 'Vamos ver, entramos em contato com você''', desabafa.
A saída foi fazer bicos e revender mercadorias compradas no Paraguai. Edílson tem que sustentar uma companheira, que não trabalha, e a filha de sete anos. Ele não paga pensão para ajudar a manter os dois filhos que teve com a ex-esposa porque não tem condições financeiras.
''A sorte é que minha ex-esposa tem um bom emprego e cuida deles. Fico envergonhado porque encontro meus filhos no fim de semana e não tenho dinheiro para dar algum presente para eles'', diz Edílson. De tanto ouvir ''não'' de patrões, ele pensa em abrir um comércio. ''O que eu gostaria de entender é como a sociedade quer que o ex-detento se recupere se ela não dá chance de trabalho para ele''.

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