Até poucos anos atrás, Catanduvas, município de pouco mais de 10 mil habitantes localizado no Oeste do Paraná, era apenas mais uma entre as várias pequenas cidades do interior paranaense. Isso mudou em 23 de junho de 2006. A partir dessa data, Catanduvas passou a ser associada aos nomes de alguns dos criminosos mais conhecidos do País, como Fernandinho Beira-Mar, Elias Maluco e Marcinho VP.
Estes são apenas alguns dos presos famosos que já passaram pelas celas da Penitenciária Federal de Catanduvas, primeiro presídio federal de segurança máxima do Brasil, inaugurado há pouco mais de cinco anos. Moradores do município entrevistados pela FOLHA admitem que se incomodam com as referências feitas à cidade em razão da penitenciária. Mas dizem que a instalação da unidade não mudou em nada a rotina do local.
''A população é indiferente à penitenciária'', afirma o historiador Adelar Antônio Paganini, morador de Catanduvas. O que realmente deixa a comunidade indignada é a lista de promessas não cumpridas que a penitenciária federal representa.
De acordo com moradores ouvidos pela FOLHA, na época da construção e da inauguração do presídio, o Governo Federal anunciou, em um protocolo de intenções, numa ''cartilha'' distribuída à população e em discursos, que Catanduvas receberia várias compensações pela instalação da penitenciária. Esses benefícios incluiriam uma extensão de alguma instituição de ensino superior ou uma escola técnica, a abertura de um hospital público e investimentos em educação, saneamento básico, segurança pública, infraestrutura e habitação.
''Mas não veio nada do que foi prometido'', critica Paganini. O topógrafo João Vanderlei Cabral organizou em 2009, junto com outros moradores, um protesto para reclamar do não cumprimento desses compromissos. Ele já participou de reuniões em Brasília, nas quais o governo reafirmou a intenção de realizar investimentos em Catanduvas, mas nada foi feito.
A Prefeitura de Catanduvas descreve que suas finanças dependem muito dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). ''A base da economia de Catanduvas é a agricultura. A prefeitura tem pouca arrecadação própria. Mesmo o FPM tem uma defasagem'', explica Devair Gaspar, secretário de Administração. Ele lembra que, além de ter doado a área para a construção da penitenciária, o município presta outro serviço para o Governo Federal: é sede de um destacamento de controle do espaço aéreo, pelo qual também não recebe compensação.
Na ''cartilha'' que foi entregue na época da inauguração da penitenciária, o Governo Federal apontou que Catanduvas seria beneficiada pelo dinheiro que entraria na economia do município devido à presença dos agentes que trabalhariam no presídio. Mas nem mesmo isso ocorreu, porque, segundo os moradores, quase todos os agentes penitenciários moram em Cascavel, que fica a cerca de 40 quilômetros.
Procurado pela FOLHA, o Ministério da Justiça, responsável pela penitenciária, informou que trata apenas de questões relativas à execução penal e não poderia se pronunciar sobre investimentos em áreas como educação, saúde e saneamento básico. A assessoria da Casa Civil da Presidência da República informou desconhecer exitência de projeto específico do Governo Federal para Catanduvas como compensação pela construção do presídio.


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Cinco anos depois, Catanduvas ainda espera
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