Cinco anos depois
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quinta-feira, 28 de julho de 2011
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Há cinco anos, em 7 de agosto, era sancionada em Brasília a lei 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, considerada um avanço por aumentar o rigor das punições dos agressores de mulheres, quando ocorridas no âmbito doméstico ou familiar.
A lei determina, entre outras coisas, que os agressores não podem ser punidos com penas alternativas. Também prevê as medidas protetivas, que vão desde a saída do agressor do domicílio até a proibição de sua aproximação da mulher agredida e dos filhos.
A FOLHA conversou com duas vítimas, que aceitaram contar suas histórias, sem serem identificadas, para que outras mulheres tenham coragem de romper com o ciclo de violência.
O primeiro depoimento é de uma mulher de 54 anos, que há dois saiu de casa. Mãe de três filhos adultos, conviveu 27 anos com um marido que a torturava psicologicamente. ''Eu tinha 25 anos, tinha ido para Mato Grosso trabalhar e o conheci lá. Ele tinha 26. Logo que casamos, ele mudou. Três meses depois fiquei grávida e pensava que as coisas iriam melhorar, mas não. Engravidei novamente depois de três meses que o bebê nasceu. Ele não queria saber de nada em casa, achava que eu tinha que dar conta de tudo. Voltamos para Londrina. Eu trabalhava na enxada, no sítio onde morávamos, levava as crianças junto. Acabei engravidando do terceiro filho. Eu pensava que ele era assim porque a situação era difícil, depois que as crianças crescessem as coisas ficariam melhores'', observou.
''Quando voltamos para a cidade, fui trabalhar fora e ele começou a mexer com marcenaria. Nos finais de semana eu o ajudava. Acabei saindo da empresa e fiquei ajudando-o. Ele começou a nos agredir fisicamente. Tinha dias que ele estava nervoso e não me deixava dormir. Se os filhos fizessem qualquer coisa errada, ele batia. Um dia ele veio para me sufocar. Meu filho estava em casa e conseguiu tirar ele de mim.''
A mulher conta que começou a fazer tratamento psicológico e participava de grupos com outras mulheres. ''Mas eu não pensava em me separar. Eu achava que poderia ajudá-lo a mudar'', revelou, dizendo que já haviam alertado que a tendência era da situação piorar.
''Um dia ele ameaçou minha filha e um amigo dela com uma faca. Comecei a arrumar minhas coisas escondido. Fui à delegacia, fiz um Boletim de Ocorrência e saí de casa. Hoje ele não sabe onde moro, onde trabalho. Não pedi pensão, o que quero é viver a minha vida. Já pensei que poderia ter feito isso (se separar) antes, mas tudo tem seu tempo certo. O que falta às vezes é o conhecimento das coisas.''


