Pelo menos cinco acidentes fazem parte do currículo do motoboy Charles Edgard Lovato, 29 anos de idade e há quase 12 anos fazendo entregas rápidas. Por sorte, as colisões só resultaram em pé e mão fraturados, nada mais grave. Ele admitiu culpa em dois dos acidentes. Segundos de descuido e lá estava ele no chão. Questionado sobre o que tirou sua atenção no trânsito, Lovato respondeu prontamente: ''Estava paquerando. E ela está cuidando de mim até hoje'', brincou, referindo-se a sua mulher.
Lovato acredita que a maior dificuldade em transitar de moto por Curitiba é o desrespeito dos motoristas. ''Eles não respeitam muito nosso espaço e fecham o corredor (espaço entre os carros), muitas vezes, de sacanagem mesmo'', protestou, sugerindo a criação de vias exclusivas para motos.
O administrador Marcus Vinicius Salomão, 42 anos, adotou a moto como meio de transporte e hobby há quase 20 anos, mas diferente de Lovato, não coleciona acidentes. A única vez em que se envolveu em uma colisão, contou ele, foi com uma motorista desatenta que transitava na contramão depois de cruzar uma via preferencial. Como ambos estavam em baixa velocidade, o dano, felizmente, foi apenas material.
Adepto ao estilo custom nos últimos cinco anos, Salomão concorda que o grande desafio em circular por Curitiba está em manter atenção ''triplicada'' em relação aos outros veículos, principalmente, com os ônibus. ''Essa é uma categoria que não respeita. Eles tocam em cima mesmo'', reclamou. ''Quando estou de carro, eu procuro respeitar, pois sei como é estar do lado de lá (em cima de uma moto)'', acrescentou.
Uma medida que não agrada muitas pessoas, mas que acaba servindo como item de segurança para motociclistas e motoqueiros é o uso de escapamentos mais barulhentos, lembrou Salomão. ''É uma forma de chamar a atenção dos motoristas para a aproximação de um motociclista''.

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