Cigarros eletrônicos mudam perfil de projetos antitabagistas em Londrina
Programa gratuito do SUS oferece apoio multiprofissional para quem quer parar de fumar e alerta sobre os riscos do cigarro tradicional
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de dezembro de 2025
Programa gratuito do SUS oferece apoio multiprofissional para quem quer parar de fumar e alerta sobre os riscos do cigarro tradicional
Jessica Mussatti/ estagiária* 

O vício do tabagismo ainda é associado, por muitas pessoas, a uma forma de aliviar o estresse do dia a dia ou até de facilitar o relacionamento social no final de semana. No entanto, o uso do tabaco continua sendo altamente prejudicial à saúde e responsável por doenças graves e irreversíveis.
Parar de fumar é uma das batalhas mais difíceis enfrentadas pela dependência da nicotina. Largar esse vício sem ajuda pode ser uma tarefa árdua. Diante dessa realidade vivida por milhões de pessoas em todo o mundo, o SUS (Sistema Único de Saúde) oferece, de forma totalmente gratuita, o Programa Nacional de Controle do Tabagismo. A iniciativa foi criada em 1985 e lançada nacionalmente em 1986.
Em 1996, a Lei nº 9.294 passou a proibir o consumo de cigarros em ambientes fechados. Já em 2005, o SUS passou a oferecer formalmente o tratamento para pessoas que desejam parar de fumar.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS/2019) mostram que 7,9% da população é exposta ao tabagismo dentro de casa e 8,4% no ambiente de trabalho, popularmente conhecidos como fumantes passivos, que são pessoas que nunca fumaram, mas estão expostos à fumaça prejudicial a saúde, podendo levar a óbito. Esses números só reforçam a importância de políticas públicas de combate ao fumo.
Para quem deseja abandonar o vício
Segundo Renata Freitas Albieri, coordenadora do Programa de Cessação do Tabagismo, da Secretaria Municipal de Saúde de Londrina, o município tem 54 UBSs (Unidades Básicas de Saúde), sendo que 40 delas na região urbana oferecem grupos ativos para quem deseja abandonar o vício.
Albieri destaca que, de acordo com o relatório mais recente, atualizado a cada três meses, aproximadamente 348 pessoas participaram dos grupos, 193 homens e 155 mulheres. A maioria dos participantes tem mais de 40 anos, com destaque para a faixa etária entre 50 e 60 anos, que reúne 87 pessoas. "O perfil está relacionado à maior disponibilidade de horário para participação nos encontros", completa.
Nos últimos anos , um outro perfil de participante está fazendo a equipe responsável pelo projeto estudar novas alternativas para ampliar o acesso ao tratamento, os fumante de cigarros eletrônicos. Albieri conta que dentre as ações para suprir essa nova demanda está a criação de grupos no período noturno ou aos sábados, visando atender pessoas que trabalham durante o dia e não conseguem participar das atividades.
Como funcionam os encontros
O tratamento é estruturado em cinco encontros semanais, chamados de “cinco momentos”, com base em materiais educativos específicos. Nos primeiros dias, os participantes passam por avaliação e consulta médica. Quando necessário, é indicado o uso de adesivos de nicotina ou medicação oral, conforme prescrição médica.
Durante as cinco semanas iniciais, os participantes recebem acompanhamento de uma equipe multiprofissional, formada por psicóloga, nutricionista, fisioterapeuta, educador físico, profissionais de enfermagem e médico. Após essa etapa, os encontros passam a ocorrer a cada 15 dias e, posteriormente, entram na fase de manutenção mensal, com foco na consolidação do abandono do cigarro.
Apesar de algumas desistências ao longo do processo, os resultados são positivos. O índice de sucesso do programa chega a 62%, considerando os participantes que concluem o tratamento e conseguem parar de fumar.
CIGARROS ELETRÔNICOS
Desde 2009 é proibido fabricar, vender, importar, divulgar ou distribuir todos os tipos de dispositivos eletrônicos para fumar de acordo com a Resolução RDC nº 855/2024 do artigo 4º, "fica proibido o uso de qualquer dispositivo eletrônico para fumar em ambiente coletivo fechado", nos termos da Lei nº 9.294, de 15 de julho de 1996, e do Decreto nº 2.018, de 1º de outubro de 1996, assim como de suas atualizações.
Enquanto o cigarro tradicional, em sua própria embalagem, informa que o produto pode causar câncer, em contrapartida, os cigarros eletrônicos, com um designer que chama atenção, muito colorido, em diferentes formatos, não têm informação de que o produto é prejudicial à saúde, pois não possui regulamentação de seu uso.
Não se pode enganar com a beleza da embalagens. O eletrônico não é diferente do tradicional, pode causar dependência da nicotina, doenças cardiovasculares, doenças respiratórias, pulmonares, como a bronquite, e o popular “pulmão de pipoca”, bloqueando o fluxo de ar e assim dificultando a respiração, lesão pulmonar associada ao uso de cigarro eletrônico ou produto de vape (EVALI), doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e o grande risco de desenvolver neoplasia pulmonar, popularmente conhecido como câncer de pulmão.
Os cigarros eletrônicos podem ter eliminado a ideia do ato de se fumar tabaco tradicional, como o fogo e o cheiro forte, porém, é composto por bateria de lítio, com risco de explosão, além de ser um perigo ambiental se descartado de forma incorreta.
A Covid-19 gerou um aumento de ansiedade e da procura pelos vaporizadores, principalmente entre os jovens.
O PSE (Programa de Saúde na Escola), criado em 2007 pelo Decreto Presidencial nº 6.286, de 5 de dezembro de 2007, promove saúde entre crianças e adolescentes estudantes da rede pública através de orientação.
Em Londrina o programa atua nas escolas com orientações para as crianças, adolescentes e os pais sobre o uso dos cigarros eletrônicos mostrando os risco do tabagismo para a saúde. Existem campanhas, como Orgulho do Meu Bairro, programa da prefeitura de Londrina levando vários serviços, um deles orientação sobre o tabagismo.
SERVIÇO
Unidade Básica de Saúde mais próxima da sua residência de segunda a sexta-feira. das 07:00 às 19:00.
*supervisão de Patrícia Maria Alves (editora).


