Com 374 palestras proferidas sobre tabagismo, o otorrinolaringologista Murilo Henrique de Carvalho se sente seguro em afirmar que no combate ao cigarro não há como ter ''meias palavras''. Com slides ''realistas'' sobre problemas decorrentes do hábito de fumar, como o câncer, o médico disse que procura com isso conscientizar as pessoas sobre o risco do vício, que mata de 95 a 100 mil pessoas por ano no Brasil.
Ele admite que antes utilizava uma abordagem mais agressiva, mas que agora procura um tom mais cordial para que as pessoas que fumam não se sintam humilhadas ou criticadas. O médico fala hoje sobre o assunto, como parte da VII Semana Interna de Prevenção de Acidentes (Sipat) da Folha de Londrina. O evento acontece no auditório da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), a partir das 14 horas.
Na sua opinião, o processo de parar de fumar passa pela necessidade de conhecer os males que o cigarro provoca, sentir que o vício faz mal e ter o desejo de querer parar. ''O ideal é que a pessoa vá diminuindo um cigarro por dia para que o processo de desintoxicação da nicotina seja gradativo'', ressaltou.
Em um país com 33 milhões de fumantes, Carvalho alerta que as pessoas que fumam têm quatro vezes mais chances de desenvolverem câncer e infarto no coração e que, em média, perdem de 15 a 20 anos de vida. ''Quem fuma vive com o coração acelerado, por causa da nicotina, o que causa hipertensão arterial'', disse.
Questionado sobre a resistência das pessoas fumantes a participarem desse tipo de evento, Carvalho arguentou que é devido ao medo de encarar a realidade. ''É um drama de consciência onde não saber os males camufla a culpa de fumar. É como se a pessoa dissesse para si mesma que se algo de ruim acontecer é porque ela não sabia'', afirmou.
Ele defende que o cigarro é uma ''toxicomania coletiva aceita pela sociedade'', que abre caminhos para outros vícios, como o consumo de bebidas e drogas. No caso de bebidas alcóolicas, ele diz que a ação é ainda mais devastadora por provocar degeneração genética e modificações cerebrais irreversíveis, alterando o comportamento das pessoas. ''A humanidade conquistou avanços sofisticados na área de tecnologia, mas, em termos de hábitos de comportamento, pouco evoluímos'', avaliou.

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