Pacotes de cigarros apreendidos em Foz do Iguaçu serão utilizados, a partir deste mês, para recuperar solos degradados e na preservação ambiental. O uso será possível graças à mudança na destinação da mercadoria apreendida pela Receita Federal na fronteira do Brasil com Paraguai. A maior parte dos quatros milhões de pacotes armazenados no depósito deixará de ser incinerada para ser reciclada.
A primeira etapa do projeto ecologicamente correto foi implantada na semana passada com a trituração da mercadoria nos moldes do sistema usado para reciclar papel. O produto é destruído numa máquina da maneira como foi apreendido: dentro da embalagem com 10 maços. Depois, segue em uma esteira até uma prensa que transforma os resíduos em fardos.
Os volumes serão doados para entidades filantrópicas que se comprometam a utilizar os detritos em projetos ambientais, informou o chefe da Programação e Logística da Receita Federal, Rui Kenji Ota. ‘‘Temos conhecimento que os resíduos podem ser usados para fazer hidrossemeadura, contenção de barreiras’’, explicou.
A máquina, instalada em frente ao depósito da Receita Federal e controlada por uma empresa contratada para realizar o serviço, tem capacidade para triturar quatro mil pacotes por hora. Por lei, a RF tem obrigação de destruir o cigarro contrabandeado, que lidera o ranking de apreensões da Receita, representando 45% dos produtos que entram ilegalmente pela fronteira.
Segundo Ota, esses números levaram a Receita Federal a continuar a incineração. Ele destacou, entretanto, o fato da queima necessitar de uma caldeira industrial, com filtros nas chaminés para evitar poluição do ar. ‘‘A região não possui caldeiras com esses requisitos, por isso foi implantado um novo sistema’’, disse. ‘‘A meta é esvaziar o depósito, que está constantemente lotado, abrindo espaço para armazenar outros tipos de mercadorias apreendidas’’, disse.

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