Cigarro apreendido é reciclado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de março de 2001
Alexandre Palmar De Foz do Iguaçu 
Pacotes de cigarros apreendidos em Foz do Iguaçu serão utilizados, a partir deste mês, para recuperar solos degradados e na preservação ambiental. O uso será possível graças à mudança na destinação da mercadoria apreendida pela Receita Federal na fronteira do Brasil com Paraguai. A maior parte dos quatros milhões de pacotes armazenados no depósito deixará de ser incinerada para ser reciclada.
A primeira etapa do projeto ecologicamente correto foi implantada na semana passada com a trituração da mercadoria nos moldes do sistema usado para reciclar papel. O produto é destruído numa máquina da maneira como foi apreendido: dentro da embalagem com 10 maços. Depois, segue em uma esteira até uma prensa que transforma os resíduos em fardos.
Os volumes serão doados para entidades filantrópicas que se comprometam a utilizar os detritos em projetos ambientais, informou o chefe da Programação e Logística da Receita Federal, Rui Kenji Ota. Temos conhecimento que os resíduos podem ser usados para fazer hidrossemeadura, contenção de barreiras, explicou.
A máquina, instalada em frente ao depósito da Receita Federal e controlada por uma empresa contratada para realizar o serviço, tem capacidade para triturar quatro mil pacotes por hora. Por lei, a RF tem obrigação de destruir o cigarro contrabandeado, que lidera o ranking de apreensões da Receita, representando 45% dos produtos que entram ilegalmente pela fronteira.
Segundo Ota, esses números levaram a Receita Federal a continuar a incineração. Ele destacou, entretanto, o fato da queima necessitar de uma caldeira industrial, com filtros nas chaminés para evitar poluição do ar. A região não possui caldeiras com esses requisitos, por isso foi implantado um novo sistema, disse. A meta é esvaziar o depósito, que está constantemente lotado, abrindo espaço para armazenar outros tipos de mercadorias apreendidas, disse.


