Em clima de indignação e revolta, cerca de 150 pessoas transformaram em ato de protesto o funeral do cigarreiro Genessi da Silva, 19 anos, morto na tarde de anteontem com um tiro na nuca, em uma operação de combate ao contrabando de cigarros, realizada pela Polícia Federal (PF), em Foz do Iguaçu.
O corpo de Silva, seguido por carros, vans e um ônibus com faixas pedindo ‘‘justiça’’, percorreu as principais ruas da cidade. O grupo fez manifestações e orações com o caixão descoberto em frente à Delegacia, no centro, e ao Posto da PF na aduana, próximo a Ponte da Amizade (que liga Foz a Ciudad del Este, no Paraguai). O sepultamento se realizou no final da tarde.
A Folha apurou que Silva estava lendo um livro, na barranca do Rio Paraná quando foi atingido com um tiro na nuca. A PF não encontrou armas com Silva. Durante o protesto na aduana, que bloqueou o trânsito por 15 minutos, Orli Ernesto Davies, um dos agentes da PF que fazia a proteção do posto, consolou a mãe da vítima, a zeladora Maria Sebastiana da Silva, 42 anos. Logo depois, mais calmo, o grupo saiu do local e seguiu para o cemitério.
Silva era o filho mais velho de Maria Sebastiana. Órfão de pai, estudava à noite e ajudava a sustentar nove irmãos menores com o trabalho de cigarreiro. Emocionada, a zeladora afirmou que pretende receber indenização do governo federal.
O presidente da Associação Brasileira dos Sacoleiros, Walter Negrão, lembrou que chegou a hora de ‘‘sacoleiro, cigarreiro e laranja parar de ser tratado como marginal’’. Para Negrão, repressão não resolve o problema. ‘‘Tem é que se acabar com esse desemprego em massa’’, disse.

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