O cigarreiro Antonio Almeida, 48 anos, que atua no ramo há seis anos, conta que nunca passou por tanta dificuldade financeira. ‘‘Fiquei sem trabalhar durante o mês de janeiro inteiro. Isso nunca tinha me acontecido antes. Estou com todas as contas atrasadas e se o movimento continuar fraco do jeito que está eu não sei o que vou fazer para sustentar minha família’’, desabafa. ‘‘Quem dá emprego para uma homem na minha idade?’’
Almeida, que é casado e tem quatro filhos, trabalha em parceria com a mulher Maria, 40 anos. Durante toda a tarde de terça-feira, os dois só conseguiram transportar duas caixas de cigarro. ‘‘Não tem mais cliente. Hoje, cada um de nós ganhou R$ 5,00. Não sabemos quando vai ter serviço de novo.’’ Juntos, os dois ganhavam cerca de R$ 300,00 por mês.
O cigarreiro contou que ele e a mulher já passaram quatro dias presos por causa do contrabando de cigarro. ‘‘Eu sei que estou fazendo contrabando, mas na verdade só passo as caixas. Deixar minha família passar fome é que eu não posso.’’ (E.M.)

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