Cientistas pressionam governo dos EUA
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de agosto de 1997
Eduardo Castor Borgonovi Agência Estado, de São Paulo 
O astronauta Edgar Mitchell, um dos que caminharam na Lua, lidera o grupo de cientistas norte-americanos que pediu, oficialmente, a abertura de um inquérito no Congresso norte-americano sobre o possível encobrimento de informações sobre visitas de seres extraterrestres à Terra.
Em virtude da grande divulgação do caso na imprensa norte-americana, a Comunidade de Inteligência do Governo criou o Grupo de Trabalho de Referência Externa para dar cumprimento à Ordem Executiva 12958 do presidente Clinton, que determina a liberação, até 17 de abril de 2000, de todos os documentos e gravações secretas com 25 anos ou mais.
Por mais inacreditável que a hipótese de contatos com civilizações extraterrestres possa parecer, a argumentação do grupo que pediu a abertura do inquérito baseia-se em argumentos sólidos e reais, como testemunhos e documentos. No grupo, ao lado de Mitchell está o dr. Steven M. Greer, diretor do Centro de Pesquisas de Inteligência Estraterrestre, um projeto científico baseado na Califórnia e patrocinado por inúmeras empresas norte-americanas e européias.
Em entrevistas à imprensa e a membros do Congresso, no dia da oficialização do pedido de inquérito, Mitchell e Greer afirmaram que suas descobertas sobre atividades extraterrestres, embora amplamente desmentidas por órgãos do governo, exigem atenção urgente do governo federal, pelo bem da Humanidade.
Eles afirmaram que várias civilizações extraterrestres, trabalhando em conjunto em bases no sistema solar e possivelmente em postos avançados submarinos terrestres, visitam regularmente nosso Planeta e estão preparadas para um contato em larga escala com os seres humanos. O que impede esse encontro interplanetário, segundo eles, é que a civilização humana precisa adotar uma nova política diplomática.
O que falta é uma reação adequada do planeta Terra, afirmou Greer. Vejam nossa reação até agora: ridicularização na mídia e desmentidos oficiais.
O grupo liderado por Edgar Mitchell e Steven Greer apresentou documentos e depoimentos de ex-pilotos militares, operadores de radar e engenheiros de rádio, que contaram suas experiências pessoais de contatos imediatos com naves alienígenas. Um dos casos expostos teria envolvido um óvni, que numa noite de 1969 pairou sobre um grupo de bombardeiros B-52 na Base Aérea de Loring, no Norte do estado do Maine.
Também foram apresentadas centenas de páginas de relatórios e documentos sobre óvnis, a maioria deles obtidos de arquivos de departamentos do governo já por força da Ordem Executiva 12958. Como reação ao encontro de Washington, entre o grupo de Mitchell e Greer, o porta-voz do Pentágono, Kenneth Bacon, afirmou que entre 1947 e 1969 a Força Aérea investigou 12.618 relatórios sobre óvnis e não encontrou provas de que fossem veículos extraterrestres. Bacon também negou declarações de que o governo dos EUA esconderia destroços de naves espaciais alienígenas e corpos de seus ocupantes.
Edgar Mitchell, 66 anos de idade, foi o sexto homem a pisar na Lua. Ele e Alan Shepard passaram 33 horas no satélite da Terra, em fevereiro de 1971, levados pela nave Apollo-14, da Nasa. Há dois anos, Mitchell vem trabalhando intensivamente para forçar o governo dos EUA a abrir os documentos secretos que possam existir a respeito de contatos entre civilizações extraterrestres e a Terra. Para ele, esse possível acobertamento envolve, no mínimo, culpabilidade criminal.
Depois de voltar da Lua (durante sua viagem participou de um experimento de comunicação telepática, cujos resultados ainda são desconhecidos), ele fundou o Instituto de Ciências Noéticas, uma tentativa de integrar várias disciplinas científicas no estudo da consciência humana.


