Cientista da UFPR apresenta novas pesquisas sobre Canova
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terça-feira, 15 de setembro de 1998
Israel Reinstein 
Uma pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) está investigando um composto homeopático, que seria capaz de ajudar nos tratamentos de câncer e Aids. Produzido há 30 anos na Argentina e em teste no Brasil, apenas há um ano, o método Canova vem sendo pesquisado pela bioquímica, Dorly de Freitas Bucchi, que concluiu a primeira fase de estudo, feito em camundongos, sobre as reações do produto sobre o macrófago - que seria a célula general do sistema imunológico.
O estudo de Dorly, que vai ser defendido num congresso técnico do setor, indica que o produto seria capaz de colocar em alerta os macrófagos, preparando para comandar a luta em defesa do corpo. Pelas investigações da pesquisadora, feita apenas com células de macrófagos de camundongos, o produto provocaria a ativação da célula (ou seja, retiraria da situação inerte, forma natural do organismo) em escalas acima das consideradas normais. Em diversas soluções, conseguimos resultados de 80% ou em dez células oito ficaram ativadas, explica. Normalmente, quando o corpo é atacado a proporção é de 10%.
De acordo com a pesquisadora, o Canova, que é um composto feito com 17 tipos de sais, minérios e enzimas, seria capaz de dar uma grande sobrevida as células in vitro, sem realizar agressões aos organismos. Outros medicamentos com esta mesma finalidade conseguem provocar aumento de macrófagos, mas com alta toxicidade e baixa sobrevida, diz.
Para completar o estudo sobre o Canova, a pesquisadora pretende descobrir para qual finalidade o macrófago se ativa. A princípio, o medicamento apenas deixaria em alerta a célula, por isso ela quer estudar a emissão enzimática do organismo, para ver que ordens são dadas nessa ativação. Também, ela pretende conseguir autorização para experimentar o produto em células humanas. Se a ativação provocar melhoras no sistema imunológico, será possível preparar o corpo para enfrentar todo o tipo de doenças, afirma pesquisadora, citando, como exemplo, a leischmaniose e toxoplasmose.
Atualmente, o produto vem medicando cerca de 500 pacientes no Brasil, por um grupo restrito de médicos. Em grandes centros como o Hospital Erasto Gaetner, referência no tratamento de câncer no Paraná, o produto é desconhecido. O médico José Roberto de Souza Brito, que diagnostica pelo método Canova, conta que o produto vem auxiliando pacientes seus no tratamento de câncer. Em 80% dos casos, a enfermidade vem regredindo, sendo tratada com Canova e outros métodos de controle, como quimioterapia.


