Paulo Pegoraro – enviado
a Capitão Leônidas Marques
Cidades às margens do Rio Iguaçu, nas regiões oeste e sudoeste do Paraná, estão sofrendo sérias consequências sociais e econômicas por terem atraído mão-de-obra durante a construção da usina hidrelétrica de Salto Caxias. Durante quatro anos, até 1998, municípios viviam a quase euforia do impacto positivo da obra que estava sendo construída pela Copel. Hoje, enfrentam o chamado ‘‘efeito barragem’’.
Parte dos quase 3,5 mil homens – geralmente chefes de família – que haviam sido empregados nas obras permaneceu nas cidades. A maioria sem conseguir outro emprego. A usina começou a operar no final do ano passado, e hoje restam poucos trabalhadores em obras complementares. Nas cidades mais próximas ao antigo canteiro-de-obras, houve sensível queda nas atividades econômicas, pela redução do número de pessoas com poder aquisitivo. Paralelamente, vê-se inúmeras salas comerciais ou casas com placas de ‘‘aluga-se’’ ou ‘‘vende-se’’, o surgimento de barracos, e aumentam os encargos sociais para as prefeituras – sem a contrapartida de recursos, ao contrário, com decréscimo de receita, com relação aos tributos.
Salto Caxias, com capacidade para 1.240 MW, ao custo de R$ 1 bilhão, tem sua barragem encravada entre os municípios de Capitão Leônidas Marques e Nova Prata do Iguaçu. A estrutura de concreto, de 1.083 metros de comprimento, represa águas ao longo de mais de 90 quilômetros do Rio Iguaçu, nos territórios de nove municípios. Os que estão no eixo da barragem são os mais afetados pelo impacto pós-obras, pois neles haviam ocorrido os efeitos positivos. Capitão Leônidas Marques é o principal exemplo, pois na cidade concentrou-se o maior número de trabalhadores.
Recebedores de bons salários (pagos pelas empreiteiras da Copel) para as condições regionais, onde a quase totalidade dos empregadores é de pequeno porte, eles alugaram casas e movimentaram o comércio, estimulando a abertura de muitos negócios, agora desativados. Um exemplo, que pode até não ser o ‘‘melhor’’, mas é emblemático: a maior casa de prostituição, apropriadamente denominada de ‘‘Boite Caxias’’, também surgiu durante as obras da usina e agora fechou as portas. É notória a conceituação de que meretrizes migram para onde há dinheiro ‘‘rolando’’, e, como aves de arribação, debandam quando ele ‘‘acaba’’.No Oeste e Sudoeste, municípios que atraíram trabalhadores e dinheiro enfrentam crise com fim das obras da usina
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