Cidades se desenvolvem em conjunto
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sexta-feira, 03 de julho de 1998
Marcos Zanatta 
A crise que atinge as prefeituras está obrigando os municípios a buscarem alternativas para manter a estrutura de atendimento à população e, dentro do possível, investir em obras. A opção de fechar as portas da prefeitura por meio período ou até por meses para economizar na energia e no cafézinho foi substituída pela união dos municípios. Na região de Maringá, os prefeitos se conscientizaram que é preciso administrar também a crise.
O primeiro passo tomado logo após a posse dos 29 prefeitos que integram a região de Maringá foi fortalecer a Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense (Amusep). A entidade ganhou sede própria e um quadro de pessoal capacitado, além de formar parcerias para viabilizar o estudo de projetos técnicos.
Marcos NegriniAterro comumO próximo projeto em conjunto dos municípios é um aterro sanitário para acabar com os lixõesO fortalecimento da Amusep permitiu a realização de estudos para medir o grau de necessidade de cada município em diversas áreas de atuação do setor público. Foi um ano de trabalho junto a cada comunidade e hoje temos um mapa completo da região, explica o secretário executivo da entidade, José Gonçalves Vicente.
Foram levantados desde a renda de cada município - ou por bairros nas cidades maiores - até os níveis de pobreza e o potencial para investimentos. Agora, nove estudantes de geografia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), em uma parceria com a Amusep, estão levantando o potencial agrícola e urbano de cada município. Sem conhecer a fundo cada cidade não existe como planejar o desenvolvimento, defende Vicente.
Com a estruturação da entidade, hoje nenhum dos 29 municípios da região realiza uma obra qualquer sem um estudo completo do impacto social. Os técnicos da Amusep fazem o projeto para o município, dentro de um levantamento detalhado dos benefícios que a obra pode trazer à comunidade.
A prefeitura, com o projeto nas mãos, vai atrás dos recursos necessários para o empreendimento. Vicente explica que a liberação de verbas fica bem mais fácil para o prefeito que chega em qualquer órgão estadual ou mesmo federal com um projeto bem elaborado e embasado.
Ele lembra ainda que a união entre os municípios é outra força na busca de resultados. A criação de uma Zona de Processamento Aduaneiro (ZPA) em Maringá, a retomada das obras do novo aeroporto e outros projetos em benefícios da região foram alcançados graças ao trabalho conjunto dos 29 municípios. A idéia é formar uma célula com maior poder dentro do Estado e até fora dele, diz Vicente. O resultado de todo levantamento realizado até agora virou uma revista, que mostra o potencial da região de abrangência da associação.
A revista está sendo enviada a 80 países, atingindo grandes empresas com potencial de investimentos no Brasil, ou mesmo para divulgação do trabalho realizado pelos municípios da região. Em outubro próximo, a Amusep pretende levar a experiência e divulgar a região em uma feira internacional de investimentos, que será realizada em São Paulo. A idéia é apresentar o potencial da região e vender a imagem de união em torno da busca do desenvolvimento.
A idéia de buscar investimentos para todos os municípios, explica Vicente, não é nenhuma novidade. Ele diz que todas as administrações tem consciência da importância das cidades da região para a economia de Maringá. Mas apenas agora estamos buscando trabalhar na prática para manter a economia de cada município, o que com certeza trará benefícios para as cidades polos, afirma.
Um dos levantamentos feitos pela Amusep mostra a dependência que as cidades menores têm em relação a Maringá. Aproximadamente 60 mil pessoas saem todos os dias de seis cidades mais próximas com destino a Maringá. Apenas de Sarandi (7 km a leste de Maringá), são mais de 35 mil moradores que se deslocam diariamente para Maringá.
Metade da população de Sarandi depende de Maringá para alguma coisa, seja comprar, ir ao médico, trabalhar ou até frequentar um cinema ou um restaurante, diz Vicente. Os números, observa ele, não levam em conta os outros 113 municípios que ajudam a movimentar a economia de Maringá.


