Enquanto Londrina ainda está na fase de discussão sobre a instalação de sua Guarda Municipal, outros 13 municípios do Paraná que já implantaram o serviço comemoram os bons resultados obtidos com os agentes pagos pela prefeitura, auxiliando na segurança pública.
Até mesmo a pequena Iporã (53 km a sudoeste de Umuarama), com seus 15 mil habitantes, conta com o serviço de 14 homens que compõem a Guarda Municipal desde 2006. Equipados com coletes balísticos e tonfas - uma espécie de cassetete - eles fazem o serviço de vigilância dos prédios públicos e auxiliam as polícias Civil e Militar. Nos últimos três meses, os guardas fizeram 61 abordagens a suspeitos, 44 intervenções em casos de perturbação do sossego e 27 atendimentos a roubos, furtos e arrombamentos.
O serviço municipal é elogiado pelo tenente Willian Silveira, que comanda o efetivo de apenas seis policiais militares que trabalham na cidade. ''É uma situação muito interessante, principalmente por se tratar de uma cidade com menos de 50 mil habitantes, onde, de acordo com a legislação, os guardas municipais não podem usar armas de fogo. Mesmo desarmados, eles nos ajudam com a presença ostensiva. São pessoas que estão há bastante tempo na comunidade e que recolhem as queixas dos cidadãos, nos ajudando com informações preciosas'', comenta o tenente.
Iporã é a cidade do Paraná com menos de 50 mil habitantes pioneira na implantação de uma Guarda Municipal, segundo o tenente Silveira. A Lei 10.826, de 2003, o ''Estatuto do Desarmamento'', diz que só podem possuir armas as guardas de municípios com mais de 50 mil habitantes. A mesma lei diz que podem ter o porte integral de arma os agentes de cidades com mais de 500 mil habitantes. Mesmo assim, Foz do Iguaçu - 311.336 habitantes - e Araucária, Região Metropolitana de Curitiba - 109.943 habitantes - conseguiram dar aos seus guardas o direito de irem armados para casa, obtendo o porte de arma específico para isso junto à Polícia Federal.
Isso porque a realidade das duas cidades é muito distinta da relativa tranquilidade iporaense. Em Foz do Iguaçu, por conta da fronteira com o Paraguai, a criminalidade é alta, por isso não é raro a Guarda Municipal desempenhar o papel de polícia. No mês passado, os agentes da prefeitura prenderam 32 pessoas, apreenderam 29 menores e três armas.
Represálias
Nessa realidade, surgem represálias do crime aos agentes. Em 2005, um guarda foi morto com um tiro de fuzil, fora do horário de serviço, depois de participar de apreensões e armas de uma quadrilha de assaltantes. O diretor da Guarda Municipal de Foz, Rudnei Bonifácio de Souza, evita falar em medo, mas admite que eles ''ficam receosos'' se têm de andar sem armas fora do horário de serviço. ''Hoje sentimos a falta de mais guardas. Estamos há sete anos sem concursos. Temos 292 agentes, mas há serviço para muito mais'', diz Souza.
Na Capital, a guarda já atendeu a 17,3 mil ocorrências em 2009. Nos últimos quatro anos foram contratados 730 guardas e o efetivo total chegou a 1.766 homens. ''Mesmo assim, a população pede mais'', destaca o secretário municipal de Defesa Civil, Itamar dos Santos.
Em relação aos agentes levarem armas para casa, Santos explica que das 600 armas que a Guarda Municipal de Curitiba possui, somente 100 são liberadas para agentes que necessitem delas em tempo integral. ''A prioridade é para aqueles que residem em áreas de risco. Mas vale dizer que todos têm colete balístico'', enfatiza.
Em Londrina, a prefeitura tenta reativar a Guarda Municipal, que existiu na cidade no começo dos anos 1990. Um projeto de lei, que institui a Secretaria Municipal de Defesa Social e prevê a volta dos guardas, foi encaminhado em regime de urgência à Câmara dos Vereadores na última semana. A previsão é que a ''nova guarda'' tenha 200 homens, armados, com salários iniciais de R$ 805.

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