Uma polêmica se arrasta em Campo Mourão há quase dois anos, quando a prefeitura apresentou um projeto para revitalização total da Praça Getúlio Vargas, no centro da cidade: o que uma cidade deve preservar de sua história? No caso de Campo Mourão, a polêmica teve início porque o projeto, que está parado à espera de recursos, prevê a demolição do coreto construído no final da década de 50.
O assunto voltou à tona há poucos dias quando a prefeitura vetou um projeto de lei que tombou para o patrimônio histórico do município o primeiro prédio de alvenaria construído na cidade. Trata-se do primeiro posto de saúde de Campo Mourão, onde hoje funciona a Secretaria Municipal de Planejamento. O veto da prefeitura foi derrubado e a lei acabou promulgada pela Câmara.
Tanto o coreto quanto o prédio do antigo posto de saúde são obras com cerca de 40 anos. Um passado recente para muitos municípios mais antigos, mas muito distante para uma cidade que tem apenas 53 anos de vida. Se uma cidade não preservar sua própria história, quem vai preservá-la? O que vai restar para o futuro se tudo for demolido?
No caso de Campo Mourão, existe uma agravante. Muita obra se perdeu porque foi construída com madeira e não teve a preservação necessária. Isso sem contar aquilo que a própria modernização foi desmanchando, como a antiga Paróquia de São José, que ficou dentro da atual Catedral, ou o pioneiro Instituto Santa Cruz. Até o primeiro cinema da cidade era de madeira e hoje não existe mais. Restou uma única foto no Museu Municipal.
Além da Praça Getúlio Vargas, do prédio do Planejamento, da casa do bispo (chamada orgulhosamente no passado de ‘‘Palácio Episcopal’’), do saguão do Aeroporto Municipal e da antiga delegacia (hoje Conselho Tutelar), o que mais resta em Campo Mourão na casa dos 40 anos? É justamente a ausência de obras históricas na cidade que faz aumentar a importância desses patrimônios, por mais simples que eles sejam.
O coreto, por exemplo, não tem beleza arquitetônica nenhuma. É algo simples: quatro colunas, um forro de madeira e telhas de barro. Mais importante do que a obra, é o que ela representou. Ali, no coreto, não só a Banda Municipal se apresentava, como aconteciam solenidades cívicas e até comícios. Em respeito à história municipal, merece ser preservado.
-

mockup