Sid Sauer
De Campo Mourão
A prefeitura de Juranda (78 km a sudoeste de Campo Mourão) está há mais de dois meses atrás de um médico cirurgião ou de um ginecologista/obstetra. A procura já incluiu até anúncios na Agência do Trabalhador (Sempre-Sine) de Campo Mourão, mas até agora tem sido infrutífera. Nem o salário inicial de R$ 5 mil tem chamado a atenção dos profissionais. ‘‘Ninguém quer vir para as cidades menores’’, queixa-se o prefeito Antônio Viana dos Santos (PTB), que é médico.
Como prefeito, Viana não chega a receber R$ 4 mil mensais. ‘‘Fui chamado e não tive coragem de me omitir, mas é verdade que estou tendo prejuízos’’, disse. Formado pela Universidade Federal do Paraná, Viana trocou Curitiba pelo interior há 15 anos e garante que não se arrependeu. ‘‘Não sei por que hoje os profissionais preferem ficar ganhando menos em grandes centros do que trabalhar no interior’’, diz.
Segundo Viana, o salário de R$ 5 mil que o município oferece é ‘‘bom’’ e garante um trabalho tranquilo. ‘‘Aqui não há correria nem estresse e a cidade está próxima a Campo Mourão, Umuarama e Cascavel, onde o médico pode continuar atuando em plantões’’, ressalta Viana. Enquanto não consegue contratar um médico, o prefeito tem que se revezar entre os despachos no gabinete e o Hospital Municipal. ‘‘Mas eu não tenho mais tempo para isso’’, reclama.
A prefeitura de Janiópolis (41 km a oeste de Campo Mourão) vive situação semelhante. O prefeito Júlio Batista Guimarães (PPB) oferece os mesmos R$ 5 mil para ter um cirurgião que more no município. O salário proposto é mais que o dobro dos R$ 2,4 mil que recebe o prefeito. ‘‘Até que aparecem alguns médicos, mas eles querem ficar morando em Campo Mourão ou Goioer꒒, ressalta Guimarães. ‘‘Precisamos de um profissional para o Hospital Municipal’’.
Em Campina da Lagoa (100 km ao sul de Campo Mourão), o prefeito Joaquim Antônio de Lima (PDT), que também é médico, está tentando um acerto com os médicos da cidade para resolver o problema do município. Ele cansou de tentar trazer profissionais de fora. ‘‘Estamos procurando há mais de três meses’’, explica a secretária municipal de Saúde, Elza Fujii Fukami. ‘‘Os médicos querem ganhar mais do que R$ 5 mil por mês’’, destaca.
A prefeitura de Campina da Lagoa oferece um salário de R$ 3,6 mil e quer que o profissional fique na cidade para fazer plantões. Segundo Elza, há dificuldades porque o município não conta com um Hospital Municipal, onde os médicos poderiam completar a renda com atendimentos e plantões. Os dois hospitais da cidade são particulares. Atualmente, sete médicos trabalham na cidade, fora o prefeito, que só se dedica à prefeitura.

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