Cidades caçam mosquito
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de abril de 1998
Lucinéia Parra e Paulo Pegoraro 
Marcos NegriniLimpezaAgentes recolheram recipientes do Aedes aegyptiA Fundação Nacional de Saúde (FNS) e as prefeituras de Maringá e Cascavel realizaram ontem um arrastão contra o mosquito Aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue. Em Maringá, mais de 50 homens, entre funcionários da FNS e servidores municipais, realizaram o arrastão em 11 bairros da cidade. Eles recolheram todo tipo de material que serve de habitat para o mosquito, como pneus velhos, latas, vasos de flores, e ainda orientaram os moradores sobre os cuidados para impedir a proliferação do inseto e evitar o risco de uma epidemia da doença na cidade.
O arrastão foi divulgado durante toda a semana. Mesmo assim, muitos moradores dos 11 bairros não colaboraram. Sequer sabiam que tinham que deixar os recipientes que acumulam água na calçada para facilitar o trabalho dos agentes sanitários. Muitas casas estavam fechadas durante o arrastão e os agentes não puderam retirar os materiais dos quintais. Por orientação dos organizadores, nenhum agente pôde entrar em quintais para retirar os recipientes sem autorização do proprietário.
Os bairros escolhidos para este tipo de trabalho são os que apresentam maior índice de infestação do mosquito da dengue. De acordo com levantamento da FNS, o Jardim Aeroporto e a Vila Operária, que foram incluídos no arrastão de ontem, apresentam 32% de infestação do mosquito. O índice tolerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 3%.
O Secretário de Saúde de Maringá, Iva Murad, destaca que sem a conscientização dos moradores é muito difícil controlar a proliferação do inseto. O arrastão, segundo ele, deverá ser feito em outros bairros da cidade.
Em Cascavel, órgãos de saúde pública, militares, escolares e membros de associações de moradores lideram o arrastão iniciado ontem e que terá sequência hoje, completando ações iniciadas na semana passada. Toda a população está mobilizada, para que entulhos nos quais o mosquito prolifera sejam colocados em frente às casas, para coleta em cinquenta caminhões da Prefeitura.
Mais de 150 homens do Exército, da FNS e Prefeitura estiveram envolvidos diretamente no mutirão nos dias anteriores, e ontem o contingente foi consideravelmente ampliado, embora alguma dificuldade por causa da chuva. Cerca de sessenta mil alunos de escolas públicas e particulares receberam orientações, transmitidas por professores - que tiveram treinamento - e sacos plásticos para que sejam recolhidos entulhos em suas casas.
O arrastão envolve bairros e zona central. O chefe local da FNS, Aparecido da Silva, alerta que o mosquito prolifera não só na periferia, mas talvez principalmente em áreas residenciais do centro, onde geralmente há mais vasos de flores, com água parada na qual o Aedes se reproduz. Em alguns bairros foi constatado que em quase trinta por cento dos domicílios havia focos do mosquito. O prefeito Salazar Barreiros (PPB), que acompanhou pessoalmente o arrastão, para fortalecer a campanha de conscientização junto aos moradores, observa que as ações servem para prevenir a possibilidade de alastramento da doença.


