Cidade terá plano emergencial
para combater a tuberculose
Lucilia Okamura
Mario CesarRaio-XWaldir Canezin, pneumologista há 32 anos: tratamento é feito a base de medicamentos e dura, em média, seis mesesLondrina é uma das nove cidades do Paraná onde será lançado o Plano Emergencial Para Combate à Tuberculose. Lançado pelo Ministério da Saúde, o plano conterá ações voltadas para combater a doença em cidades onde há grande número de casos. Em Londrina, no ano passado, foram registrados 172 casos novos.
A chefe da seção de epidemiologia da 17ª Reginal de Saúde, Vera Marvulle, explica que organismos internacionais estão apoiando o chamado Programa Nacional de Combate de Tuberculose (PNCT), que inclui o Plano Emergencial. O Brasil é o sexto país em número de casos novos - registra 90 mil novos casos/ano.
Mario CesarCerco ao baciloVera Marvulle: meta é quebrar cadeia de transmissão da doençaPara desenvolver o Plano Emergencial, a 17ª Regional, em conjunto com a Prefeitura de Londrina, elaborou um projeto que foi enviado ao Ministério da Saúde. ‘‘O projeto foi aprovado e está em vias de ser colocado em prática.’’ Segundo Vera Marvulle, falta chegar a verba para investir no treinamento do pessoal e em material de apoio laboratorial.
Vera Marvulle afirma que a principal ação a ser desenvolvida é detectar, nos postos de saúde, os chamados sintomáticos respiratórios. Agentes comunitários ou auxiliares de enfermagem serão treinados para estarem alertas e detectarem pacientes suspeitos (que estão tossindo há mais de quatro semanas, por exemplo).
‘‘Muitas pessoas acham que estão com uma gripe prolongada e, na verdade, estão contaminando as pessoas com o bacilo da tuberculose’’, observa Vera Marvulle. ‘‘Com o projeto, queremos quebrar esta cadeia de transmissão da doença.’’ Os pacientes suspeitos serão encaminhados para realizar o exame do escarro. A epidemiologista da 17ª Regional, Maria Célia Auzec, afirma este teste é simples, bastando fazer leitura microscópica.
Confirmado que o paciente tem tuberculose, é encaminhado para tratamento, que é feito à base de medicamentos. Segundo Vera Marvulle, o tratamento, em média, dura seis meses. ‘‘A tuberculose é uma doença que tem cura, desde que o paciente colabore e tome a medicação recomendada.’’
Vera Marvulle diz ser importante a pessoa não abandonar o tratamento pela metade, como ocorre muitas vezes. ‘‘Nos primeiros meses o paciente começa a melhorar e já acha que está bom’’, relata. Já prevendo estes casos, ela explica que o Plano Emergencial prevê a busca de pacientes faltosos em suas casas. ‘‘Se o paciente começar a faltar, iremos ver o que está acontecendo.’’
Além de Londrina, outras cidades que estarão atuando com o Plano Emergencial de Combate à Tuberculose são Cascavel, Cianorte, Curitiba, Foz do Iguaçu, Maringá, Paranaguá, Ponta Grossa e Umuarama.
A preocupação para o combate à tuberculose, segundo Vera Marvulle, é em nível mundial. Em todo o mundo, são registrados oito milhões de casos novos por ano, sendo que 2,7 milhões daquelas pessoas morrem.

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