A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU) pretende aumentar o número de dispositivos eletrônicos para acionamento de semáforos pelos pedestres. Por meio de um botão, o pedestre aciona o dispositivo que interrompe o tráfego para veículos, dentro de um período de tempo pré-determinado, e libera a passagem para as pessoas.
A reportagem da Folha esteve ontem em três locais que contam com o equipamento e constatou que alguns pedestres desconhecem sua funcionalidade e outros questionam o seu funcionamento.
O pedreiro Maurício Aparecido Apolônio costuma usar diariamente o dispositivo instalado na altura do número 2.700 da Avenida Tiradentes, sentido centro-bairro. De acordo com o pedestre, antes da instalação do equipamento, há pouco mais de um ano, ele presenciou vários acidentes no local. ‘‘Eu acho bom porque é bem mais prático para quem precisa atravessar’’, afirmou. O tempo disponível para passagem de pedestres é de 20 segundos.
Um outro dispositivo está instalado no entroncamento da Avenida Brasília com a Tiradentes, altura do número 1.900. A dona de casa Cintia Moraes da Rosa, que estava acompanhada pela mãe e dois filhos pequenos, não sabia como o aparelho funcionava, mesmo passando com certa frequência pelo local.
Já a digitadora Francesca Amaral, que mora no Jardim Leonor (zona oeste), reclamou que ‘‘o equipamento não serve para nada, porque o tempo de espera é o mesmo, apertando ou não o botão.’’ A reportagem constatou que depois do acionamento do botão, o tempo de espera é de 45 segundos, o mesmo de quando o equipamento não é acionado. Outro local que também conta com o dispositivo é a Avenida Higienópolis, próximo ao Iate Clube. Lá, alguns pedestres reclamaram que os motoristas não costumam respeitar a sinalização.
O presidente da CMTU, Wilson Sella, avaliou que o equipamento dá garantia de segurança e estimula o uso da faixa para os pedestres. Junto com ampliação do número do equipamento para os transeuntes, Sella afirmou que serão feitas campanhas educativas com a população. ‘‘O trânsito hoje é violento, mas pode ser melhorado’’, assegurou. A estratégia será abordar ‘‘questões óbvias’’ mas que não estão sendo seguidas nem por motoristas e nem pelos pedestres.
A CMTU também pretende intensificar a fiscalização – através de monitoramento eletrônico do trânsito –, já que na avaliação de Sella, o número de multas aplicadas não reflete a realidade das infrações cometidas.
Segundo a Companhia de Trânsito de Londrina (Ciatran), de janeiro a junho deste ano foram registrados 150 atropelamentos na cidade, com um saldo de 11 mortes. No mês de julho foram mais 23 pessoas atropeladas, com mais 2 mortes. Somente na última semana morreram o comerciante José da Rosa Vicente, de 78 anos, e o servente de pedreiro José Benedito Ribeiro, de 57 anos.
O problema de segurança no trânsito voltou à tona no final de junho, depois que os irmãos Lucas e Amanda Colonheis, de 7 e 10 anos, respectivamente, morreram atropelados quando cruzavam a Avenida Inglaterra (zona sul).

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