Cidade tem segunda pior calçada do Estado
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quarta-feira, 24 de novembro de 2004
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Londrina tem o segundo pior calçamento para pedestres entre as quatro maiores cidades do Estado, índice que faz com que 31% dos moradores do município já tenham sofrido ou conheçam alguém que sofreu qualquer tipo de lesão provocada por buracos, desníveis ou outro tipo de obstáculo encontrado em calçadas. Os números fazem parte de uma pesquisa divulgada ontem durante o 3º Seminário Paranaense de Calçadas, promovido pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), para debater um problema que consome, anualmente, R$ 3,2 bilhões em gastos com saúde, destinados ao atendimento de vítimas deste tipo de acidente.
Utilizando-se de conceitos como caminhabilidade (qualidade das calçadas para os pedestres), a ABCP atribuiu notas para as quatro maiores cidades do Estado, e Londrina ficou em penúltimo lugar, a frente apenas da Capital. Integrante do Conselho Municipal de Direitos das Pessoas com Deficiência Física, Solange Maria Ferreira reforça as falhas apontadas pela associação: ''As calçadas de Londrina têm muitas árvores, são cheias de obstáculos. Além disso, lugares como o Calçadão são cheios de desníveis. Perdi a conta de quantas vezes caí por lá'', lembra.
A estimativa do engenheiro Philip Anthony Gold, consultor de projetos de tráfego e transporte e um dos palestrantes do evento, é de que problemas como estes gerem gastos de até R$ 3,2 bilhões por ano, para o tratamento de vítimas de acidentes provocados por calçadas sem conservação. ''Estes números foram obtidos com pesquisas realizadas em São Paulo, mas com base em uma realidade que pode ser transportada para qualquer cidade do País'', explicou.
Promovendo eventos como o seminário, a intenção do coordenador do projeto, Carlos Roberto Giublin, é envolver todos os setores da sociedade na resolução do problema, já que, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Canadá na cidade, pelo menos 35% dos deslocamentos diários são feitos à pé. ''Metade das mortes no trânsito deve-se a atropelamentos, e a maior parte deles poderiam ser evitados se as calçadas oferecessem boas condições de uso'', resumiu.
O diretor geral do Detran-Paraná, Marcelo Beltrão de Almeida, confirma as estatísticas de Giublin. ''Em Londrina, por exemplo, oito pessoas morreram este ano no local do atropelamento. São situações que poderiam ser evitadas se dispuséssemos de políticas para incentivo do uso de transporte coletivo, onde acho que o Detran deve participar, e de boas calçadas para os pedestres'', afirmou.
O que Gold e Giublin sugerem como prováveis soluções é que o Estado, através da administração municipal, reassuma a responsabilidade sobre a construção e manutenção das calçadas. ''Os municípios deveriam fiscalizar de forma mais rigorosa ou assumir de vez, criando concessionárias para cuidar do problema'', citou Gold. ''Se investíssemos no setor, talvez até gastaríamos os mesmos R$ 3,2 bilhões, mas seria um investimento sem dor'', concluiu Giuglin.


