Cidade tem maternidades em situação de risco
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de novembro de 1996
Lorena Aubrift Klenk 
Escassez de leitos pelo SUS, deficiências de equipamentos, falta de pessoal e pouco rigor no controle da infecção hospitalar podem tornar algumas maternidades de Curitiba tão inseguras para mães e bebês quanto as de Boa Vista (RR) e Fortaleza (CE), onde recentemente dezenas de recém-nascidos morreram em poucos dias. Uma avaliação recente da Secretaria Municipal da Saúde mostra que, em alguns aspectos, as condições na média das maternidades estão longe das ideais.
Os dados foram coletados em 24 maternidades, em agosto de 1995. O resultado apresenta apenas a situação do conjunto das maternidades, sem nominá-las. Das sete categorias avaliadas, a situação foi considerada aceitável em cinco: planta física, materiais e equipamentos obstétricos, materiais e equipamentos na sala de reanimação, serviços de apoio e normas e condutas.
Mesmo nessas categorias foram detectados pontos críticos. Um dado preocupantes é o de que em 25% das maternidades os partos são realizados por auxiliares ou atendentes de enfermagem. Em 54,2%, o pediatra não está presente em todos os partos.
Outros problemas são a inadequação do número de salas de parto ao de leitos (em 66,7%) e a inexistência de sala de reanimação de recém-nascido (33,4%).
A situação foi considerada não satisfatória em duas categorias: materiais e equipamentos no berçário e recursos humanos. Faltam berços de calor radiante, aspiradores e refrigeradores em várias maternidades. A falta de recursos humanos é dada como preocupante. Não há plantão 24 horas de obstetras em 37,5% das maternidades. O mesmo ocorre com anestesistas (em 62,5%), com pediatras (66,7%) e com enfermeiros no berçário (91,7%).
Em relação à infecção hospitalar, o levantamento mostra que 59,1% dos estabelecimentos possuem comissões de controle, mas apenas 9,1% são atuantes. Doze maternidades não produzem os indicadores sobre infecção, mas seis delas notificam regularmente a secretaria - o que indica que elas simplesmente criam dados.
A médica Denise Siqueira de Carvalho, do Departamento de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde, diz que todos esses problemas se juntam à redução na oferta de leitos pelo SUS para configurar uma situação preocupante: É comum gestantes fazerem peregrinação pelos hospitais para conseguir vaga.
Denise admite que o risco em algumas maternidades de Curitiba é equivalente ao de estabelecimentos situados em Estados mais pobres. A diferença, segundo ela, é que a vigilância aqui é mais eficiente, facilitando a intervenção rápida diante de sinais de alerta.


