Cidade tem cerca de
17 mil desempregados
A construção da hidrelétrica de Itaipu despejou 100 mil pessoas em Foz do Iguaçu em uma década. Em 1970, cinco anos antes do início das obras, a cidade tinha apenas 34 mil habitantes. Dez anos depois, no auge da construção da usina, a população havia aumentado para 136 mil pessoas.
Mesmo com o fim das obras da barragem em 1981, Foz não parou mais de crescer. Em 1996, pouco mais de 25 anos após o início do ciclo Itaipu, a cidade já tinha 230 mil habitantes, segundo o censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - o que representou um crescimento de quase 600% nesse período.
Segundo o diretor do Departamento Municipal de Informações Institucionais, Luiz Carlos Kossar, o rápido crescimento populacional de Foz do Iguaçu foi impulsionado por dois ciclos econômicos, além da construção de Itaipu: o desenvolvimento de um pólo exportador na cidade, entre 1980 e 1985, e a implantação de uma zona de livre comércio em Ciudad del Este, no Paraguai, a partir de 1985.
A explosão populacional trouxe consequências sociais. O desemprego atinge pelo menos 17 mil pessoas (7,2% da população), de acordo com estimativa realizada no início do ano passado pela Prefeitura e o escritório regional da Secretaria de Estado do Emprego e das Relações de Trabalho.
Outra consequência está no campo habitacional. Foz do Iguaçu tem 15% de sua população (35 mil pessoas) morando em 40 favelas. Segundo levantamento da Prefeitura, o déficit habitacional na cidade é de 15 mil moradias.
‘‘O maior problema é que, quando terminaram as obras de Itaipu, no início da década de 80, o Brasil atravessava um período de recessão e nenhum grande projeto estava em curso no País para poder absorver essa mão-de-obra’’, explica Kossar. ‘‘A construção civil e o comprismo em Ciudad del Este requisitaram apenas parte do contingente liberado pela hidrelétrica.’
Segundo ele, para sair da crise, Foz precisa de um grande ‘‘fato econômico’’, o que poderia ser representado pelo desenvolvimento de um parque industrial, hoje incipiente.
(Valmir Denardin)

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