Para o arquiteto Gilson Bergoc, Londrina ainda dispõe de importantes áreas públicas de uso comum. O arquiteto destaca o Zerão, o Vale do Ribeirão Cambezinho (que forma o Lago Igapó), o Vale da Vila Portuguesa (onde está o Centro Social Urbano) e outras áreas de fundo de vales (todos próximo à área central).
No centro nervoso da cidade, o arquiteto destaca, no lado sul da Catedral, o Bosque; no lado norte, a Praça Floriano Peixoto, cujas veredas reproduzem as faixas da bandeira britânica, numa referência à colonização inglesa.
O Parque Arthur Thomas, na zona sul, e o Parque Estadual Mata do Godoy, localizada na estrada para o Distrito de Guaravera, a poucos quilômetros do centro da cidade, também são áreas muito importantes.
Na zona norte, o arquiteto cita os vales dos ribeirões Quati, Lindóia e Jacutinga, além de várias pequenas áreas ainda cobertas por mata nativa.
‘‘Os vales dos ribeirões necessitam de urbanização ou de medidas de preservação permanente para que a população dessas regiões possa usufruir das áreas. As matas precisam ser preservadas a qualquer custo, além de que seria conveniente o reflorestamento das partes mais altas, sobretudo da zona norte, que é de onde vêm as correntes de ar quente’’, enfatiza Bergoc.
O arquiteto destaca, ainda, as três praças da Rua Humaitá, localizadas internamente nas quadras entre as ruas Montese, Paranaguá, Canudos e Monte Castelo, no Jardim Higienópolis (próximo à área central). ‘‘Os moradores dessas áreas são privilegiados, pois gozam de um espaço como o oferecido por qualquer praça e, ainda, praticamente sem circulação de veículos. Seria muito interessante que espaços como estes fossem comuns em toda a cidade.’
A Praça Nishinomyia, localizada em frente ao aeroporto da cidade, na zona leste, é apresentada pelo arquiteto como exemplo de adequada destinação da área. ‘‘Esta praça se enquadra em quase todas as atribuições que se deseja deste tipo de espaço. É adequada para o lazer, ativo e contemplativo, e ainda apresenta significação cultural’’.
A Nishinomyia, segundo o arquiteto, ‘‘revela elementos da cultura japonesa, é área utilizada pela população em atividades como caminhadas, bicicleta, skate, futebol ou simples descanso nos bancos e assentos. Além de que serve ainda para o comércio, como ocorria antes da Revolução Industrial.’
Gilson Bergoc lembra a mobilização dos Moradores do Jardim Quebec (sofisticado bairro próximo à área central) contra a proposta de construção da sede de um clube de serviços na Praça José Pegoraro. ‘‘Sobretudo por ser um bairro de classe média alta, há a consciência de que a praça é um patrimônio irrenunciável e representa qualidade de vida’’, opina o arquiteto. ‘‘A preservação das áreas de uso comum representa qualidade de vida não somente para os animais, aves e a própria vegetação mas, sobretudo para o homem’’. (A.N.)

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