Luciana Pombo
De Curitiba
Deficiência na rede coletora de esgoto e doenças ocasionadas por causa da falta de tratamento foram alguns dos assuntos dicutidos ontem, no Seminário Sobre Saneamento Básico e Qualidade de Vida, na Câmara Municipal de Curitiba. De acordo com os dados apresentados pela Sanepar, apenas 58,3% das residências de Curitiba possuem coleta de esgoto e 80% deste total é tratado. ‘‘Isto significa que mais de 600 mil pessoas não têm esgoto tratado e pode estar sujeita a diversas doenças. Gasta-se mais com o doente do que se gastaria com a prevenção de doenças’’, disse o vereador Tadeu Veneri (PT).
Segundo a pesquisadora da Fundação Osvaldo Cruz, Maria José Salles, os gastos do Ministério da Saúde com tratamento de doenças evitáveis através de saneamento básico chegam a R$ 300 milhões por ano. De acordo com os dados do ministério, 31.567 crianças com idades entre zero e 5 anos morreram no Sul do Brasil nos últimos dez anos com doenças como cólera, febre tifóide e amebíase, que poderiam ter sido evitadas com uma rede de coleta e tratamento de esgoto adequados.
A qualidade da água também foi discutida. Segundo Veneri, as ocupações irregulares estão prejudicando as áreas de mananciais de Piraquara, Colombo e Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. ‘‘Precisa haver uma política de relocação das famílias destas áreas, para evitar problemas ainda maiores de contaminação’’, disse ele.
De acordo com o coordenador do Programa Saneamento Bairro a Bairro e superintendente da Secretaria Municipal de Assuntos Metropolitanos, José Antônio Zen, os governos estadual e de Curitiba já trabalham para ampliar a rede de esgoto. Segundo ele, a prefeitura vem realizando sistema de coletas especiais, nos bolsões de pobreza.
No entanto, afirma o vereador, este trabalho nem sempre acontece. Por isso, uma proposta discutida durante o seminário deverá ser redigida em forma de projeto de lei. De acordo com a proposta, todos os novos loteamentos de Curitiba deverão conter a coleta e o tratamento de esgoto. ‘‘Desta forma, estaremos diminuindo o problema’’, argumentou.
A Sanepar está em fase de licitação de duas obras do Paranasan para Curitiba, Litoral e região metropolitana. Os recursos somam US$ 350 milhões e servirão para obras de ampliação da rede de esgoto sanitário e melhorias no abastecimento de água. Segundo o gerente de distribuição da Sanepar, Celso Luís Thomaz, a intenção é chegar ao ano 2003 com 80% da população urbana de Curitiba e região com coleta de esgoto. ‘‘Com isto, teremos quase toda a população atendida com bom esgotamento sanitário’’, afirmou.
Thomaz analisou ainda a questão da contaminação dos mananciais que abastecem Curitiba. De acordo com ele, a situação é crítica por causa do crescimento industrial da região metropolitana. ‘‘Existe um conflito sério entre preservar as áreas e garantir habitação para a população. E cabe os estados organizar isto e impedir novas invasões em áreas de manancial’’, disse ele.

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