O confinamento dos caingangues - ou coroados - em 1859, para facilitar a entrada dos brancos, em vez de desenvolver, atrasou São Jerônimo da Serra, cujos moradores e a prefeitura teriam de ser ''despejados'' em 1928, caso fosse cumprida sentença da Justiça Federal exigindo a desocupação da terra indígena.
Os índios estavam quase desaparecendo, mas a terra, por lei, ainda lhes pertencia. Em 1938, o prefeito Odilon Borges de Carvalho sugeriu ao interventor no Estado, Manoel Ribas, que fossem levados para a reserva Apucaraninha, ao Sul de Londrina, os ''148 índios todos errantes e vagabundos, consumidos pela tuberculose e pelo álcool, doentes e inúteis, de cujas terras a área é aproximadamente 14.000 alqueires''. E que a terra, incluindo a cidade, ficasse para as 2.572 pessoas que dela ''tiravam a própria subsistência''.
Em 1943 a proposta foi outra: que se mudasse a cidade. A justificativa do então prefeito, major José Scheleder, era que no município criado há 24 anos, a cidade principal ainda permanecia em ''situação de atraso, sem luz e sem água, além de não possuir os requisitos mínimos de uma modesta sede''.
Condicionava-se o desenvolvimento à solução que os poderes públicos quisessem dar ''ao chamado caso da terra dos índios'', oficialmente 136 coroados entre adultos e crianças. Os moradores não construíam ''prédios de alvenaria, modernos, dignos do progresso dos demais distritos do município'', porque a prefeitura não lhes podia assegurar a posse legítima das terras compreendidas no patrimônio ocupado pela municipalidade.
Daí ''a conveniência de instalação de uma nova sede (...) em terras que escapam à influência do Serviço de Proteção aos Índios''. Referia-se o prefeito a ''uma grande área'' nas proximidades da Estrada do Cerne, no lugar denominado Lagoa, a 10 quilômetros da cidade, que a firma serradora J. Sguário & Cia. punha à disposição. ''Ali poderíamos construir uma nova cidade, com bases sólidas e em estilo moderno, em terreno previamente estudado por técnicos e com todas as garantias legais.''
Mas a cidade permaneceu, embora tenha perdido a condição de sede municipal duas vezes, entre 1943 e 1947. Nos primeiros anos 50, houve a legalização da sede, possível pela diminuição da reserva indígena, limitada a 1.400 alqueires. (W.S.)

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