Maurício Borges
Enviado a Marilândia do Sul
Com a interdição do único hospital de Marilândia do Sul (28 km ao sul de Apucarana), a população do município, estimada em 10 mil habitantes, está recorrendo a Apucarana em situações mais graves. A interdição do Hospital Municipal ocorreu no dia 21 de setembro, depois que o Ministério Público solicitou uma vistoria técnica da 16ª Regional de Saúde de Apucarana nas instalações.
As condições higiênico-sanitárias inadequadas das instalações e até uso de remédios com prazo de validade vencido foram os principais motivos alegados pela Vigilância Sanitária para que o hospital fosse lacrado. De posse de um mandado de busca expedido pela Justiça, a promotora Suzana Broglia Feitosa de Lacerda, acompanhada de policiais, apreendeu diversos documentos no hospital.
Entre outras irregularidades ficou comprovado que um falso médico – o auxiliar de enfermagem Gérson Carlos Pizapio – estava clinicando há quase um ano no hospital.
Com o fechamento do estabelecimento, todos os casos de emergência médica passaram a ser encaminhados para hospitais de Apucarana, credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A maioria dos pacientes acaba sendo levada ao Pronto Atendimento Municipal (PAM), destinado exclusivamente a moradores de Apucarana.
Para ser atendidos, alguns pacientes, mesmo transportados por ambulâncias da prefeitura de Marilândia do Sul, são deixados a 100 ou 200 metros do hospital e precisam mentir que são da cidade. Funcionários do PAM confirmam que essa situação vem ocorrendo todos os dias e que até levou o secretário Carlos Alberto Gebrin Preto a requerer parte das 62 cotas de Autorizações para Internamento Hospitalar (AIHs) que continuam sendo recebidas pela Secretaria de Saúde de Marilândia.
Um pronto-socorro foi construído junto ao Centro Médico de Marilândia do Sul. O prefeito Ivan Carlos Beligne (PFL) vai inaugurar a obra segunda-feira, com uma equipe de cinco médicos. ‘‘Nossa proposta é manter o atendimento de 24 horas no pronto-socorro e, quando houver necessidade de internação, encaminhar os pacientes a hospitais de Apucarana’’, anuncia o secretário Luis Feliciano.
Com relação ao inquérito policial aberto para apurar irregularidades no Hospital Municipal de Marilândia, a promotora Suzana Broglia informou ontem que faltam ser ouvidos apenas o auxiliar de enfermagem Gérson Carlos Pizápio, que está foragido, e o médico José Jorge Bosco, que alegou estar adoentado para adiar seu depoimento.
Anteontem, o delegado Odair Cordeiro, acompanhado da promotora, tomou o depoimento do diretor adminstrativo do hospital, Fernando Jorge Siroti. Também foram colhidas assinaturas de Siroti. Exame grafotécnico vai confrontar com documentos emitidos no hospital interditado.
Segundo a promotora, o teor do depoimento de Siroti, de outros médicos e funcionários do hospital já ouvidos, não será revelado para não prejudicar as investigações. ‘‘Estão surgindo novas irregularidades e outras pessoas envolvidas’’, resumiu a promotora.

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