Quando uma cidade não tem delegado, quem faz o flagrante e quem preside o inquérito? A dúvida vem esquentando a cabeça da presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Barbosa Ferraz (74 km a nordeste de Campo Mourão), Laura Pinto de Oliveira. Ela se queixa que a cidade está sem delegado desde 15 de dezembro, quando uma portaria do governo do Estado destituiu todos os delegados ‘‘calças-curtas’’ do Paraná.
‘‘Como uma cidade pode ficar sem delegado?’’, questiona a presidente do conselho, com indignação. ‘‘Além disso, o fórum está em recesso e também estamos sem juiz e sem promotor’’, completa. Laura diz que já tentou entrar em contato com a Secretaria de Estado de Segurança Pública, mas não conseguiu. A prefeita Elza Marques Gonçalves (sem partido) tem uma audiência marcada com o secretário Cândido Martins de Oliveira, na segunda-feira, para tentar resolver o problema.
Segundo Laura, os moradores querem a volta do delegado Cristiano Yassaka, que estava na cidade já há cerca de 15 anos. ‘‘Ele pode ser calça-curta, mas é honesto, competente e bem quisto pela comunidade’’, ressalta. Desde que Yassaka saiu, a delegacia não tem nenhum funcionário da Polícia Civil. ‘‘Ninguém mais está sendo preso’’, diz a presidente do Conselho. ‘‘A Polícia Militar até que prende, mas o preso acaba sendo solto em seguida’’.
A situação também é caótica para os cinco presos que estão na cadeia de Barbosa Ferraz. Eles só estão comendo porque membros da maçonaria levam a comida até a cadeia. ‘‘Mas eles já chegaram a passar fome’’, diz Laura. Mesmo Yassaka, antes de ser destituído, só estava no cargo porque era pago com dinheiro arrecadado em campanhas feitas pela população. A diferença era paga pela prefeitura, assim como o salário do escrivão e até das zeladoras da delegacia.
Demissões Na reunião que terá na segunda-feira na Secretaria de Estado da Segurança Pública, a prefeita vai comunicar que está demitindo os funcionários da prefeitura que trabalham como escrivão, carcereiro e zeladores da delegacia. ‘‘As demissões fazem parte do nosso programa de contenção de despesas’’, explica Elza. ‘‘Não é justo uma prefeitura em dificuldades ficar pagando por obrigações que pertencem ao Estado’’.
O delegado de Peabiru (12 km ao norte de Campo Mourão), Wilson Campaner, é o responsável adminstrativo por oito delegacias da região, incluindo Barbosa Ferraz, mas admite que não existe ninguém designado para atuar como delegado no município. ‘‘Caso aconteça algum crime mais grave, com prisão em flagrante, eu ou alguém da 16ª Subdivisão Policial de Campo Mourão tem que ir para lᒒ, explica. Barbosa Ferraz, no entanto, não está sozinha. A maioria das cidades da região também está sem delegado.

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