Cidade se firma como centro de compras
Salto del Guairá (18 km a noroeste de Guaira) é uma capital diferente. Nenhum aspecto lembra o cenário urbano das capitais brasileiras. Com 15.585 habitantes, não é nem mesmo o município mais populoso do desabitado departamento (equivalente à estado) de Canindeyú, leste do Paraguai. Curuguaty, Francisco Caballero Alvares e Corpus Christi são maiores.
O visual pacato - o tráfego de carros e pedestres se concentram apenas na avenida principal - esconde um emergente centro comercial que teve muito o que comemorar em 1998, depois da inauguração da Ponte Ayrton Senna e das melhorias na Supercarretera, rodovia que liga Salto del Guairá a Ciudad del Este e Assunção.
Ney de SouzaAs boas condições da melhor estrada do Paraguai - segundo a maioria dos comerciantes -, integrada ao fim da necessidade do uso da balsa, fizeram crescer o movimento de cargas, principalmente soja e madeira. Mas o impacto mais visível foi a consolidação do turismo de compras.
Em setembro, um shopping com 211 lojas veio se juntar aos outros 480 estabelecimentos comerciais existentes. Além de valorizar os terrenos vizinhos, o Shopping Salto del Guairá, um empreendimento de empresários maringaenses, está ajudando a divulgar a cidade, esquecida depois do fim do fluxo turístico da era Sete Quedas.
Ney de SouzaBoom econômico Rua central de Salto del Guairá, que vive novo ciclo de progresso com a inauguração da ponte sobre o Rio Paraná; supercarretera liga a região a Ciudad del Este e a capital AssunçãoCom publicidade em rádios e TVs do Paraná e Mato Grosso do Sul, o centro de compras, climatizado e com amplo estacionamento, atrai 70% dos veículos que passam ou vêm a Salto del Guairá. A maior atração em relação a Ciudad del Este, a concorrente óbvia, 220 quilômetros ao sul, é o conforto, comodidade, segurança e uma certa tolerância aduaneira.
Saí de lá porque não dá para se ganhar dinheiro num lugar com tantas lojas, diz o jordaniano Aymam Shahadeh, 26 anos, que vendeu seu ponto em Ciudad del Este e passou a vender telefones e eletrônicos no novo shopping. De acordo com o comerciante, ninguém reclama dos preços, em geral 5% a 10% mais caros que em Ciudad del Este. Aqui não tem sacoleiro, as compras são feitas com muita tranquilidade, diz Shahadeh.
Em meados de 1999, o shopping deve estar com seu espaço útil totalmente ocupado. Segundo a administração, a ocupação, hoje, chega a 80%. Mesmo assim, o shopping já emprega 230 funcionários, 30% deles brasileiros de Guaíra e Mundo Novo (MS). No começo fiquei com medo de não dar certo, porque eram muitas lojas, mas hoje sinto que meu emprego está garantido, diz Elisângela Heredia, 19 anos, funcionária de uma loja de eletrônicos e moradora de Guaíra.
Lojas com carteira de clientes estável também já começam a sentir os efeitos do funcionamento da nova ponte e da publicidade feita pelo Shopping Salto del Guairá. Maria Dolores Rojas de Biúdes, proprietária da La Ocasion, uma das pioneiras do centro comercial, embora não tenha verificado um aumento real em suas vendas percebeu um aumento no movimento.
A ponte trouxe mais paranaenses que vêm, sem dinheiro suficiente, porque não sabem como o comércio daqui é diversificado, teoriza Maria, de 34 anos. Formada em economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Maria acredita que com a ponte e as melhorias na Carretera vai provocar uma mudança de mentalidade dos empresários locais. Agora temos tudo para crescer, basta investir em infra-estrutura e torcer para que a crise do lado brasileiro passe depressa, aposta. (L.F.M.)





