Elas moram no Jardim Monte Cristo, zona sul de Londrina, e tiveram dengue tipo 1 durante a epidemia que se espalhou pela cidade entre janeiro e março deste ano. Recuperadas dos sintomas, o temor agora é quanto a possibilidade de serem infectadas com a dengue hemorrágica.
As irmãs Paula Vanessa de Araújo, 16 anos, e Flávia Cristina de Araújo, 14, recordam com angústia dos dias em que ficaram embaixo dos cobertores. ''Eu usava duas, três cobertas e continuava tremendo de frio. Tinha febre alta e o corpo dolorido fazia a gente levantar somente para comer e ir ao banheiro'', comentou Paula. ''A dengue é tão forte que até os olhos doem. Também saem manchas vermelhas na pele, como se fosse uma alergia'', descreveu Flávia.
A maior preocupação das duas é com a irmã caçula Ketlin Juliana de Araújo Freitas, que teve a doença com dois meses de vida. ''Agora ela está com sete meses, mas também sofreu muito naquela época'', disse Paula.
A região do Jardim Monte Cristo foi considerado um dos principais focos de proliferação do mosquito Aedes aegypti (transmissor da dengue) em Londrina. Esse bairro concentra grande número de catadores de lixo reciclável que, sem cobertura, acumulava água da chuva, servindo de criadouro do Aedes.
Para evitar que se repita em 2004 uma epidemia de dengue como ocorreu no início deste ano em Londrina, que registrou nos primeiros sete meses 5.806 casos, a 17 Regional de Saúde anunciou ontem a Operação 2004 Sem Dengue. A campanha conta com investimentos de R$ 1,6 milhão.
A operação foi divulgada durante o encontro da Associação dos Municípios do Médio Paranapanema (Amepar), realizado ontem. O chefe da 17 RS, Gilberto Martin, divulgou nove ''sub-projetos'' para combater a doença. ''Destaco dois deles como principais: a instalação de 40 mil armadilhas contra o mosquito transmissor da dengue e a contratação dos 121 agentes para os 20 municípios da região'', disse.
Apesar do grande número de casos ocorridos em 2003 e da constante divulgação, pelos veículos de comunicação da cidade, sobre como evitar a proliferação da doença, parece que os novos agentes continuarão tendo muito trabalho. É que segundo moradores do Monte Cristo, há vizinhos que ignoram as recomendações da Saúde e acumulam lixo no quintal. ''Não adianta dez pessoas cuidarem do lixo se um deixar de limpar o quintal. Temos que trabalhar juntos'', comentou Paula de Araújo.
Com os arrastões realizados no início do ano, vários depósitos improvisados passaram a ser cobertos com lonas e os materiais que acumulavam água, liberados rapidamente para as usinas de reciclagem. ''Pedimos para o pessoal não deixar acumular material e, depois da limpeza que fizemos, diminuiu muito o foco de mosquito. Falta agora limpar um terreno aqui perto e levar o lixo para o aterro'', disse o presidente da Associação dos Moradores do Jardim Monte Cristo, Valter Martins dos Santos, que pretende reunir os moradores e limpar o terreno em sistema de mutirão amanhã.
A diarista Jandira Rosa dos Santos, de 37 anos, também moradora do Monte Cristo, quer esquecer dos cinco dias em que ficou de cama. ''A gente não tem vontade de comer e o corpo todo dói. Perdi alguns dias de trabalho por causa da doença'', lamentou Jandira.

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