Marcos BorgesDeterminaçãoBelizardo, da FNS: placas informam que é proibido jogar lixo em fundos de vale e terrenos baldios Autarquia Municipal de Saúde, Fundação Nacional de Saúde (FNS) e Autarquia do Meio Ambiente (AMA) retomaram, esta semana, a campanha Londrina contra a Dengue. De acordo com a FNS, a situação do Município continua grave, exigindo cuidados e atenção redobrados da população e dos órgãos ligados à saúde. Um trabalho realizado no final de 1996 constatou que mais de 20% das residências de Londrina apresentam focos do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue.
Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), o índice máximo aceitável é de 2,5%. ‘‘Acima disso a OMS considera grave o risco de uma epidemia da doença. Londrina está com um índice praticamente 10 vezes superior ao aceitável’’, comenta o supervisor da FNS em Londrina, Elson Belisardo.
E o que mais preocupa: a possibilidade de que o número de notificações da doença aumente na mesma proporção dos últimos três anos. O número de casos de dengue notificados pulou de quatro, em 1994, para 1.085 no ano passado. Só nos primeiros meses deste ano outros novos 40 casos já foram notificados. O fato de apenas um caso ter sido confirmado até agora não tranquiliza os órgãos de saúde. O pico de notificações da doença acontece sempre em março.
Como a maioria das novas notificações surgiram na região norte - 13 do total de 40 -, 60 funcionários da FNS e da AMA estão lá, passando de residência em residência para fazer a desinfestação. Paralelamente, esclarecem os moradores sobre as maneiras de evitar a formação de novos focos do mosquito transmissor. No ano passado, durante o arrastão de limpeza realizado para recolher lixo reciclável, garrafas, latas, plásticos e pneus que acumulam água e favorecem a criação de focos do Aedes aegypti, a zona norte só perdeu para a zona leste.
Na região leste, a AMA recolheu 69.510 quilos de lixo. Na região norte foram 45.880 quilos á- 16.400 quilos em fundos de vale do conjunto Maria Cecília. ‘‘Ficamos espantados com o volume coletado no Maria Cecília’’, afirma Belisardo. A cidade foi dividida em 8 setores. FNS e AMA conseguiram atender apenas três deles, coletando 151.180 quilos de lixo reciclável. O arrastão foi realizado nos meses de agosto e setembro de 96 e é uma das atividades que os coordenadores da campanha querem reativar neste ano.
Em decorrência do volume de lixo coletado, a campanha Londrina contra a Dengue começou, em 1997, a colocar placas determinando a proibição de jogar lixo em terrenos baldios e em fundos de vale. Na placa, além da proibição, consta o número do Disque Denúncia incentivando a identificação de quem estiver jogando lixo em locais impróprios. Para denunciar, basta ligar para o número 156, da AMA.
‘‘Esperamos contar com o apoio da população para reduzir a incidência do mosquito na Cidade. Evitar o acúmulo de lixo que possa funcionar como criadouro das larvas é fundamental’’, afirma Belisardo. Mas este não é o único problema que os órgãos de saúde enfrentam para evitar a propagação da doença. ‘‘As pessoas estão evitando acumular lixo em suas casas, mas as donas-de-casa insistem em manter vasos com água em suas residências’’, lamenta.
O supervisor da FNS alerta que pelo menos metade dos focos do mosquito transmissor da dengue se forma em vasos de água dentro das residências. ‘‘A dona-de-casa tem de substituir a água por outro tipo de material’’, diz Belisardo.

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