Tunas do Paraná - A busca por um local mais tranquilo, longe da agitação e da violência dos grandes centros é o que leva muitas pessoas a procurar refúgio em cidades menores. Porém, a violência também está de mudança, justamente em busca daqueles que tentaram deixa-la pra trás.
Exemplo recente dessa ''fuga'' foi o ataque à pequena cidade de Tunas do Paraná (Região Metropolitana de Curitiba), onde uma quadrilha aterrorizou a vida dos sete mil habitantes. Os assaltantes fecharam os únicos dois acessos, feitos pela BR-476 (Rodovia Governador José Richa), fizeram 16 pessoas como reféns e dispararam contra as autoridades locais (dois policiais entrincheirados no módulo policial)
O terror tomou conta das pessoas usadas como escudo humano. Algumas inclusive serviram de apoio para mira dos bandidos. Apesar do que repetiam com frequência - ''Ninguém vai se machucar, mas se a polícia atirar vocês é que vão levar os tiros''- , o medo tomou conta dos presentes. Mesmo passado um mês do crime, moradores e comerciantes ainda têm receio de que possa ocorrer um novo ataque. ''A gente fica pensando, será que eles vão voltar?'', desabafa Waldivia Andrade, proprietária de uma farmácia vizinha à agência do Bradesco atacada.
A agência em questão foi incendiada na ação dos bandidos. O fogo só não se espalhou porque populares, após a fuga dos marginais, correram para apagar o incêndio. ''A agência ficou toda preta'', lembra Waldivia.
Muitos dos reféns estavam passeando pelas até então pacatas ruas da cidade. Como o caso de Wilson Ricardo Cordeiro. O funcionário da prefeitura da cidade estava levando sua namorada para casa quando foi abordado pelos bandidos. Eles foram usados como escudos humanos. ''Levei um mês para recuperar minha audição'', lembra Cordeiro. Sua namorada, no entanto, não teve tanta sorte. Ela foi levada como refém pelos criminosos e solta logo em seguida, distante um quilômetro da cidade.
Ao final de 30 minutos, os criminosos que dispararam contra a polícia, arrombaram duas agências bancárias, inclusive atearam fogo em uma delas, e atingiram uma mulher no ombro quando tentaram parar o carro onde ela estava, fugiram levando uma quantia não divulgada em dinheiro e deixando para trás um rastro de pânico e destruição. (C.E.K.)

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